Cerca de dez mil pessoas deslocaram-se até ao estádio dos Coqueiros, em Luanda, para assistir ao melhor do rap feito em português no primeiro Luanda Hip Hop Fest.

Além de Angola, Portugal e Moçambique fizeram-se sentir presentes na lista de artistas a subir ao palco, com destaque para Plutonio e Wet Bed Gang, de terras lusas e Duas Caras, G2 e Tulewis do país do Indico. Ao todo, foram 34 os artistas convidados.

Em cena, além da música, estiveram representados modelos arquitetónicos de cada bairro luandense, que influenciam o movimento em Angola.

Artistas como Dr. Romeu, Phay Grande – O Poeta, Mono Stereo, Vanda Mãe Grande, Eva Rap Diva, Paulelson, Mobbers, TRX Music, Young Double, Young Family, Kalibrados,, Phedilson, Ascensão, Army Squad e outros, deram o seu melhor para que os presentes saíssem satisfeitos do local.

O “aquecimento” esteve a cargo dos deejays O’Mix e Bruno AG, que fizeram questão recordar algumas músicas antigas, provocando um sentimento de nostalgia geral.

Alguns artistas como Toy Toy T-Rex e Young Family, pronunciaram-se sobre as reações do público.

Toy Toy disse que “tinha medo” da reação dos “mafiosos e mafiosas” que consomem o seu trabalho mas ficou surpreendido e satisfeito quando os seus fãs cantaram “cada letra” de cada música apresentada.

Para 2020, o rapper revelou que está dentro de alguns projetos que farão parte do seu conjunto Máfia 73 sem esquecer os seus projectos individuais. A sua próxima mixtape terá o título de Cheiro de Água e que, “se Deus quiser” vai lançar novo álbum.

O rapper Dr. Romeu brindou o público com “linhas” interventivas que refletem os problemas que a sociedade civil tem enfrentado em Angola.

Dos momentos altos e polémicos, há a destacar o ataque de palavras do rapper Johnny Berry.

O artista mostrou o seu descontentamento em relação a alguns rumores, de que supostamente outro artista disse que Johnny Berry “não devia estar na lista de convidados” por não ser só rapper. O artista respondeu com o seu talento, entoando os seus maiores sucessos.

Young Double ao notar a ausência do nome do seu bairro, Benfica, ratificou o “erro”, proporcionando um momento grafite ao vivo. Double escreveu o nome do seu block na parede, colocando-o assim “no mapa”.

Eva Rap Diva “disparou” em freestyle contra Vanda Mãe Grande, terminando dizendo que “avisem à Vanda que eu é que sou a mãe grande”.

Chegada a vez dos Wet Bed Gang, o grupo fez o público vibrar e cantar músicas como “Aleluia” e “Devia Ir”.

Para o fim ficaram os pesos pesados do rap em português, Força Suprema. O público cantou as suas músicas do início ao fim.

Cleusio, um dos organizadores do evento e proprietário da Clé Entertainment, mostrou-se “muito satisfeito com o resultado. Foi um evento longo mas o pessoal ficou até ao final.” Acrescentou ainda que, em 2020, vai haver segunda edição e com muitas surpresas.

Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".