Já estamos em 2020. Sim, já se passaram duas décadas desde que começou o novo século. Os ditos planos que fizemos no passado estão agora à altura de serem concluídos pois o presente chegou, finalmente.

Para quem acredita em numerologia, este é o ano do número 4. O número da estabilidade, da responsabilidade e do comprometimento sério. Podemos até não acreditar ou perceber de numerologia mas o significado deste ano não nos pode passar ao lado.

2019 terminou e quem nasceu no início do século 21 atingiu agora a maioridade. Mas, além disso, o que mudou no mundo nos últimos 20 anos?

Mudou tudo e nem as linhas, nem muros ou cercas que delimitam fisicamente a fronteira entre duas nações nos impendem de conhecer ou falar com outros povos ou percebermos novas culturas.

O visto que nos permite entrar em qualquer Estado ou país do mundo, cada vez mais, chega a todos e com preços mais acessíveis.

Estou a falar de Internet, que nos dias de hoje anda de mãos dadas com milhões de enciclopédias disfarçadas de canais de YouTube, perfis de Instagram ou de Twitter. Hoje, o conhecimento não é só para quem tem dinheiro e para quem tem vontade de aprender, de viver, de abrir a mente.

Centenas de novas profissões surgiram nos últimos 20 anos e muitos destes profissionais, muito qualificados, nunca precisaram se sentar num banco de uma faculdade. Não estou a dizer que não é importante mas também já não é um critério para trabalhares, por exemplo, na Google, Microsoft ou na Apple.

Prioridade?

O que é isto de prioridade ? Foda-se, eu também não sei porque, hoje, a minha prioridade é alimentar as minhas crianças e desenhar o caminho para que elas saibam priorizar as delas e as do mundo.

Mas está é a minha prioridade. Qual é a nossa? E as do mundo?

Se ligarmos à prima Greta ela vai saber responder-me. Como posso sequer pensar em explicar o que são prioridades às minhas pirralhas se eu próprio não souber as prioridades do mundo?

Apesar das desigualdades sociais, o mundo em que vivemos é como um prédio de 100 andares, em que quem está no último andar tem a melhor vista mas se um dos andares desmoronar vai prejudicar o prédio todo.

Como podemos saber quais são as nossas prioridades? Não é uma pergunta fácil, mas é preciso uma resposta para definirmos como seguir a vida.

E porque precisamos de prioridades?

Segundo os cristãos, se as nossas prioridades são corretas, a nossa perspetiva em relação a Deus, às coisas e às pessoas também estarão corretas.

Conheci um jovem rapaz natural da África do Sul, residente em Portugal, que nasceu na primeira década dos anos 2000 e que acabou de atingir a maioridade. Questionei-lhe sobre quais eram as suas prioridades para este ano e a sua resposta parecia estar na ponta da língua. “Ganhar dinheiro, Investir no Fortrade. Tenho estudado muito sobre isso para saber como ganhar mais dinheiro”.

As prioridades individuais são o ponto chave da sociedade. Mas quais são as priorados comuns para mantermos a nossa casa limpa, um mundo saudável?

Os especialistas dizem que o dólar vai recuperar face às outras grandes moedas e que este é provavelmente o início do final desta grande crise financeira dos últimos dez anos. Vem aí uma esperança para chegamos aos 40 anos com casa própria, sem ter os agentes imobiliários nem os bancos à perna.

Quantos perceberam o número de manifestações que têm assombrado governos contra a corrupção, contra a desigualdade?

Quais as nossas responsabilidades quando instigamos pessoas a saírem para às ruas? Faz sentido estimular reações nos outros enquanto se desfruta do conforto da sua chaise longue com a vista para o Big Ben?

Pergunto-me todos os dias como posso fazer mais, como posso dar mais de mim para estarmos todos ao mesmo nível. Dificilmente durmo mais que seis horas e quase nunca trabalho menos que 12 horas.

Das seis horas que me restam para o meu lazer estou a ouvir, ler ou a ver outros criadores.

Olho para as pessoas que conseguiram ultrapassar a barreira da dificuldade financeira como os cavaleiros de um batalha campal com milhares de soldados, só que cada um deles tem um objetivo diferente.

Mostro-me nas descrições das minhas redes socias como aquele que quer perpetuar histórias pela web.

Mas também que questiona como se ganha dinheiro escrevendo histórias de fodidos como eu, que têm a mesma esperança que eu. Como conseguir me vender a um magnata cheio de notas verdes.

Recuso-me pensar que é impossível, e tento não me comparar porque quem escreve os bangers não é quem canta. Conheço quem escreve e que também é um fodido como eu, mas quem canta tem sola vermelha nos pés.

É assim que funciona o sistema, eu faço parte dele. Gasto nove mil euros numa formação superior e espero as oportunidades ou então vou para a rua fazer a oportunidade, até conseguir comer saladas com tomates cherry e ter a audácia de ver na embalagem a quantidade de calorias que tem.

Quase todos gostam do Messi ou do Ronaldo e a maioria respeita Ibrahimovic. Mas quantas destas opiniões são uma análise neutra, sem influência de outros?

Quantos baseiam as suas vidas no retweetar do pensamento alheio, quantos não são apenas ovelhas que nunca foram tosquiadas nem nunca viram a própria pele?

Como se ensina quem não que aprender? Lidar com a deficiência de um burro é 20 vezes mais fácil do que lidar com a ignorância de quem não quer aprender.

Hoje tenho dúvidas da idoneidade da casa onde cresci mas continuo a acreditar no ser superior, nem que sejam apenas crenças e sonhos fundados na minha própria cabeça.

Por isto, por respeito a todos os que acreditam em alguma coisa, termino este texto com a citação do livro cristão, de Mateus, Capítulo 6, versículo 33, com um pequena alteração da minha autoria. Substituí Reino de Deus por Amor.

Busquem, pois, em primeiro lugar o Amor e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês.