Talatona Art é a mais nova galeria de artes aberta em Talatona, nos arredores da cidade de Luanda.

Em conversa com a BANTUMEN, o responsável pela galeria, Ciro Neves, disse que a galeria é resultado de um “projeto que iniciou em 2017” e adiantou-nos alguns detalhes sobre outros grandes projetos para o ano de 2020.

Sob tutela da agência Seven Arts, a galeria foi inaugurada com “uma coleção de arte contemporânea que conta com 16 artistas plásticos e mais de 32 obras”.

Obra em exposição no Talatona Art

A exposição inaugural, que tem o nome de Gerações, visa retratar o desenvolvimento das artes plásticas. Ciro indicou que o “fio condutor foi o facto de serem todos artistas angolanos e de nascerem em gerações diferentes. Cada um tem uma formação diferente, e então resolvemos dar este nome”.

Mestre Kapela, António Ole, Francisco Van e Mestre Gonga representam a sua geração nascida entre as décadas de 40 a 60; seguindo-se Guilherme Mampuya, Fineza, Paulo Kussy, entre outros, até aos anos 80. Já os millennials estão representados por pintores como Armando Scoott e Ulófe.

Na exposição, Armando Scoott levou a sua última obra, intitulada “O Salto”. O quadro resultou da proposta de exposição da âgencia Seven, indicou-nos o próprio artista.

O Scott relembrou que viveu muitos anos fora de Angola e, fruto disso, acabou por perder algumas brincadeiras das crianças angolanas e isso acabou por gerar um certo saudosismo.

Esta obra “é uma criança que dá um salto numa prancha” mas além do visual, Armando quis transmitir a ideia de “darmos um salto na vida”. “Muitos de nós não temos uma vida incrível por não darmos um salto”, disse Armando.

Na parte técnica, Armando apresentou um quadro com uma dimensão completamente inferior à moldura, o que, por si só, ganha destaque em relação às outras peças em exposição.

A galeria possui um espaço de 250 metros quadrados, está aberta ao público todos os dias, das 10 às 22 horas e a Gerações estará exposta até ao último dia do mês de fevereiro. Ciro Neves acrescentou ainda que a partir de março começa outra exposição individual, cujos detalhes serão divulgados em breve.

Os outros dois grandes projetos a serem lançados ainda este ano sob alçada da galeria são um “catálogo de capa dura”, que visa retratar e documentar a arte contemporânea em Angola e também um documentário que irá abordar o mesmo tema.

Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".