O ano ainda está “fresco” mas desde o final de 2019 que alguns angolanos começaram a dar mostras de que este 2020 vai ser “pesado”. O entretenimento angolano não está atualmente no seu auge, mas há nomes que se destacam por mérito próprio, rasgando o setor com talento e altos standards.

Assim, há seis nomes dentro da cena artística angolana que temos de ressaltar obrigatoriamente. Uma nova sonoridade, artes plásticas com mensagens com um conteúdo explícito e forte, roupa que nos transmite sentimentos, o dom de comunicar com palavras que nos comprimem a alma… é isto o que tem conquistado os ouvidos de quem escuta e agradado os olhos de quem vê (com olhos de ver).

Ora toma nota destes nomes.

MEDICKATION (rapper)

MED é um rapper nascido em Luanda. Assume ter uma personalidade reservada e descobriu o seu gosto pela música quando entrou em contacto com a discografia de Lucky Dube, Bob Marley, Akon, entre outros.

Nas plataformas de streaming podemos ouvir os seus singles “Money”, “Tentei”, “QAFS”, “20th Floor” e, recentemente, lançou “Meia-Noite”. Os EPs disponíveis são Neptune, Vénus e Friday Drug.

Para 2020, o artista pretende alcançar outras plataformas de divulgação e lançar o vídeo de uma música, com data ainda a anunciar.

UÓLOFE GRIOT (artista plástico)

Artista visual luandense criador da Uóki, um projeto colaborativo com Kisha Kipito. Uólofe considera-se como um artista experimental, com uma atitude que explora novos conceitos e representações do mundo, ultrapassando as combinações tradicionais das artes plásticas.

Com um jeito diferente de apresentar as suas obras, o artista de 30 anos tem-se destacando já há um bom tempo em Luanda. No ano passado apresentou no Espaço Luanda Arte – ELA um conjunto de obras com a exposição Autorretrato“. E também acaba de expor Kussamba na galeria Talatona Art.

HOLY-LY (fotógrafo)

Apaixonado por fotografia, Holy está na “luta” há três anos. Tudo começou quando decidiu editar fotografias que se encontravam disponíveis na Internet e foi aí que nasceu também a sua faceta de designer gráfico.

O que o torna diferente dos outros fotógrafos é a capacidade de criação e inovação. Nas suas obras, Holy faz questão de “carregar” na produção, fazendo-se valer de uma vibrante paleta de cores e, sobretudo, qualidade.

O seu nome começou a ganhar uma maior dimensão quando, nas suas sessões fotográficas, passou a incorporar africanidade, união, ousadia e tudo sempre com um toque contemporâneo.

VERKRON (graffiti writers)

Para quem vive em Luanda, é fácil cruzar-se com um graffiti. Alguns são da autoria dos Verkron, um grupo de graffiti writers que têm espalhado arte pelas cidades angolanas.

Em Luanda, as paredes das artérias mais movimentadas da cidade ganham vida com trejeitos de formas humanas e não só. Alguns causam até estranheza, mas são impassíveis de admiração alheia.

MBAWA CONCEPT (Moda)

A Mbawa já existe há algum tempo e, segundo as criadoras Lurinela e Nettecris, é “um movimento criativo contemporâneo que professa a liberdade e promove uma viagem sem limites ao nosso próprio universo interior, por via do toque, dos cheiros, do paladar… por via dos sentidos”.

Em Dezembro de 2019 a Mbawa “bateu as asas” e “voou” para um outro patamar, inaugurando a primeira loja localizada na Rua dos Mercadores, em Luanda. O estilo é minimalista e as cores são maioritariamente neutras, transmitindo-nos um sentimento de paz que toca, literalmente, na pele.

NZOLA KUZEDÍUA (Slammer/Spoken Word)

O spoken word em Angola é um dos movimentos que mais tem crescido nos últimos anos. O que se reflete na crescente quantidade de eventos de slam que têm acontecido na cidade de Luanda e outros pontos do país.

Nzola Kuzedíua é uma jovem slammer que participou nas competições mais relevantes de spoken word em Angola. Jjá participou em eventos como “Muhatu”, “Slam Tundavala” e “Luanda Slam”, neste último a jovem sagrou-se campeã, tornando-se a primeira mulher a conseguir o feito, e ainda recebu o título de maior vencedora de “Slam Battle” em Angola.

Clica aqui e torna-te Patrono da BANTUMEN

Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".