A culinária brasileira é uma mistura de três grandes influências: a indígena, a primeira população que ocupou o território brasileiro, a europeia, através do processo de colonização europeu no ano de 1500, e africana, através da chegada dos africanos escravos após o ano de 1750.

Inicialmente, os índios alimentavam-se de mandioca, de frutas, de peixes e de algumas carnes de caça. Os portugueses levaram o pão, queijos, arroz, vinhos e doces, o que fez com que a população brasileira ganhasse peso já que não estava biologicamente preparada para o glúten e a lactose, como também o álcool e o açúcar em excesso. 

Com a chegada de africanos de diferentes localizações, a comida brasileira voltou a ser mais saudável e tornou-se muito mais rica e interessante pela combinação de vários sabores africanos. Foi através dos escravos que as especiarias chegaram ao Brasil, levando um pouco do sabor das suas terras. Estes foram considerados os primeiros cozinheiros brasileiros, já que eram responsáveis por preparar as refeições tanto na “casa grande”, como também nas senzalas. 

Um dos pratos mais importantes da culinária brasileira é a feijoada, elaborada antigamente pelos escravos com as sobras dos cortes das carnes que iam para a casa grande. Para os escravos sobravam os pés, as orelhas, o rabo do porco, linguiça e carne-seca, misturado com feijão-preto e com vários temperos para dar bastante sabor. 

Outro prato mais comum em Salvador, capital da Bahia, é o acarajé, que se tornou até mesmo património nacional. Feito com uma massa de feijão-branco frita, misturado com frutos-do-mar e pimentas, este prato tem uma importância religiosa, já que está relacionado com o candomblé, a religião de origem africana e largamente praticada entre os escravos. 

Entre os ingredientes trazidos de África e que foram inseridos na culinária brasileira estão pimenta-malagueta, azeite de dendê, leite de côco, gengibre, açafrão, erva-doce, gergelim, amendoim, melancia, inhame e banana. Estes são considerados a maior herança africana no Brasil. Há muitos outros também, mas estes são os que se destacam. 

Os escravos africanos acabaram por transformar a forma como os brasileiros se alimentam até aos dias de hoje, revelando como a história de formação política e económica de um país influencia até mesmo a culinária do mesmo.

O que antes estava restrito ao ambiente marginalizado das senzalas, hoje pode ser encontrado em restaurantes de alto padrão, como por exemplo o Dom, vencedor de estrela Michellin e um dos mais importantes do Brasil e do mundo, mostrando que os sabores africanos dominaram os paladares de todos, independentemente da posição que ocuparam na sociedade.