O ator angolano Pedro Hossi, que interpreta o político timorense Xanana Gusmão no filme Sérgio, considera que a entrada das plataformas de streaming na indústria cinematográfica representa mais oportunidades de trabalho, disse à agência Lusa.

Sérgio, do realizador norte-americano Greg Barker, fará a estreia mundial na próxima terça-feira (dia 28), no Festival de Cinema de Sundance, nos Estados Unidos, e terá distribuição pela plataforma de streaming Netflix a 17 de abril.

Do elenco, encabeçado pelo ator brasileiro Wagner Moura, faz parte Pedro Hossi, que interpreta o político timorense Xanana Gusmão.

Nas vésperas de partir para os Estados Unidos, por causa de “Sérgio”, Pedro Hossi contou à agência Lusa que neste filme biográfico será recordada a passagem de Sérgio Vieira de Mello por Timor-Leste, quando foi administrador transitório da ONU no território (1999-2002).

“Apanha essa fase em que se conhecem, e o governo de transição e a última cena que [eu e Wagner Moura] temos juntos é quando Xanana se torna presidente”, recorda.

Pedro Hossi explicou que recebeu um pedido de casting para este filme em Lisboa, enviou uma gravação e foi escolhido para interpretar o papel de Xanana Gusmão, tendo rodado as respetivas cenas na Tailândia.

“Tentei perceber o contexto em que aquele encontro aconteceu. Pesquisei sobre a vida e confiei no processo de ensaios com o realizador, no Wagner [Moura], na caracterização”, disse.

Sérgio Vieira de Mello, alto funcionário da Organização das Nações Unidas, morreu em agosto de 2003 em consequência de um atentado em Bagdade, durante uma missão no Iraque, depois de, nos anos anteriores, ter participado no processo de independência de Timor-Leste.

Em 2003, já Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão reagiu com “profunda mágoa” à morte de Sérgio Vieira de Mello, considerando-o um “amigo íntimo”.

Sobre este novo filme biográfico dedicado ao diplomata, Pedro Hossi contou que tinha como objetivo contracenar com o ator e realizador brasileiro Wagner Moura e admitiu que a participação no filme possa ser um momento importante na carreira.

“Acredito que seja um turning point no sentido em que sou um ator muito mais maduro hoje do que era, mais confiante nas minhas habilidades e porque o mundo mudou, com as plataformas [de streaming]. Fazem-nos acreditar que tudo é possível, já não vivemos dependentes do sistema de estúdios de Hollywood. As produções estão a ser feitas em todo o lado”, disse.

Pedro Hossi, 41 anos, nasceu em Luanda, cresceu em Portugal, estudou representação em Nova Iorque e em Paris e viveu quase uma década em Los Angeles, Califórnia.

Em Portugal fez sobretudo telenovelas, na SIC e na TVI, ao mesmo tempo que foi somando participações em algumas produções de cinema, sobretudo estrangeiras, entre as quais “Borderline” (2009) e “O grande Kilapy” (2012). Entrou ainda na produção portuguesa “Linhas de sangue” (2018).

Depois de ter gravado três novelas de seguida para a TVI, entre as quais “Prisioneira”, ainda em antena, e da “participação pequena” em “Sérgio”, Pedro Hossi diz que se está a dedicar a “projetos mais pessoais”.

Está a escrever uma peça de teatro e a desenvolver um programa de entrevistas filmadas, mas em jeito de ‘podcast’, a pessoas a quem quer “fazer perguntas”, por considerar que são relevantes.

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Então vamos lá: com o ano a chegar ao fim, sinto que este texto faz sentido. Quem me conhece bem sabe que eu sou avesso a grandes gestos públicos – à exceção do Amor 😂. Sei que não estou sozinho aqui quando digo que o meu ponto fraco ( forte ) é o coração! Conheci este senhor ao meu lado na foto quando tinha mais ou menos 14 anos, na altura em que recebi provavelmente a maior lição da minha vida. Estávamos em 1992 quando se deu o trágico conflito armado que desolou a cidade de Luanda. Nessa mesma altura, a minha mãe estava prestes a iniciar a sua relação com aquele que é hoje o homem a quem chamo de Pai. O Vitorino Hossi, meu pai , era um membro da Unita e foi preso na altura dos confrontos. Quem conhece a história de Angola sabe que naquela altura era perigoso estar associado ao partido de oposição ao poder. Lembro-me que a minha mãe “pegava” em mim e na minha irmã e levava-nos a jantar frequentemente ao MINDEF, onde o Vitorino e outros quadros da UNITA eram presos políticos. Na altura a equação era simples: nós estávamos a jantar com um amigo nosso. Só isso. Mais tarde percebi o enquadramento maior do que realmente se passou naquela altura. A minha mãe, vinda de uma família tradicionalmente ligada ao MPLA, ensinou-nos que NUNCA se abandona um amigo… Estamos em 2019 e o Adalberto da Costa Júnior ( na foto ) acaba de assegurar a presidência da UNITA. Há uns dias atrás eu tive o privilégio de o entrevistar para um projecto que em breve vai ser lançado ao Mundo. A dois dias da virada do ano e também da década tenho pensado sobre a importância das nossas escolhas. Não só aquelas que definem os próximos governos, mas principalmente as pequenas escolhas do dia a dia. Apesar do Adalberto ainda não ter o meu voto, o facto de ele ter sido eleito para a presidência da UNITA e em breve – 2022 – concorrer às eleições presidenciais em Angola, acabou por reacender o meu interesse pela política do país. Que este novo ano seja também o início de uma fase mais consciente, em que as nossos escolhas nos direcionem para a criação de um mundo melhor. Boas entradas, que 2020 seja leve e relevante, são esses os meus votos ❤️

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Contando estrear em breve, possivelmente na plataformas YouTube, Pedro Hossi já fez entrevistas à atriz portuguesa Sara Barros Leitão, ao ator brasileiro Wagner Moura, ao artista angolano Nástio Mosquito e ao atual presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior.

O festival de cinema de Sundance começou no dia 23, em Park City, e termina no dia 02 de fevereiro.