Três anos depois de se ter sentado connosco para falar sobre o seu grupo Rolézinho Band, Ary Rafeiro esteve à conversa com a BANTUMEN, desta vez, para o podcast “O Negócio da Música”, disponível no Soundcloud, Spotify, ApplePodcast, Google Podcast e no YouTube.

Mais crescido, maduro, melhor preparado e com outro nome artístico, o cantor vive agora uma nova fase na carreira após ter abraçado as raízes brasileiras, que tem do lado paterno da família, sem nunca esquecer a ginga angolana da mãe.

“A minha relação com Portugal está estampada na minha expressão e na minha cultura”, disse, em entrevista ao nosso site.

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O artista, que se afirma como produtor, amigo e pai, tenta na sua música partilhar com o público parte da sua história de vida, que nem sempre foi fácil, por muitas vezes ouvir a “típica” frase: “Volta para a tua terra”. “Acho que quase todos os emigrantes já levaram com esta”, adiantou.

Ary Rafeiro
Ary Rafeiro & Tiago Firmino | Foto: Miguel Roque

Enquanto crescia, estava rodeado de etnias e as ruas cedo o ensinaram a adaptar-se à realidade portuguesa. Contudo, a meio do processo, o intérprete perdeu-se. “Fui quase forçado a falar português [com sotaque de Portugal] mas com o passar do tempo a minha maneira de me expressar não era aquela. Socialmente, era muito difícil encaixar um brasileiro quando não havia nenhum”. 

Quando achava que, finalmente, se tinha enturmado havia algum obstáculo que o fazia lembrar que não fazia parte deste país. “A realidade batia-me sempre de frente. […] Quando convém seres português és português quando convém seres brasileiro és brasileiro”, explicou.

“O sotaque é assim tão importante para me definir como pessoa?”

Assim que atingiu um ponto de maturação a nível pessoal e profissional, Ary Rafeiro assumiu as raízes brasileiras e, rapidamente, as melhoras em estúdio se fizeram sentir. “Em [português] brasileiro gravo muito mais facilmente”.

O cantor sentiu que pode ser uma voz para a cultura brasileira em Portugal e ter um papel fundamental no desenvolvimento da mesma. Isto porque sempre consumiu música feita por artistas daquele país. Porém, assim que lançou o primeiro tema, com sotaque, houve diversos elementos do mundo do Hip Hop que não aceitaram esta mudança.

Sem se preocupar muito com as más línguas, está focado na sua equipa Bons Malandros e em ajudar os mais novos a entenderem como funciona o mundo da música. “Não vale a pena estarmos a fazer mil sons sobre o bairro e não nos ligarmos à nossa comunidade”.

Há seis anos estava a trabalhar como gerente de uma loja de roupa, hoje em dia, serve de inspiração a muitos jovens pela determinação, trabalho, perseverança e ambição. Sente-se realizado por conseguir viver da música, mas o sonho não pára por aqui.

Ouve a entrevista completa no Soundcloud da BANTUMEN. E não percas o próximo episódio com Monsta, ex-Dope Boyz.