Abensonhado chegou às plataformas digitais esta sexta-feira, 31 de Janeiro. Jimmy P quis celebrar a música da lusofonia e convidou vários companheiros de profissão, como Carolina Deslandes, Fernando Daniel, Djodje e Nelson Freitas, para darem voz ao seu trabalho.

Jimmy P partilhou com a Lusa que nunca gastou “tanto tempo a fazer um álbum” como com Abensonhado, o quarto de uma carreira com dez anos. Isso aconteceu, porque queria que houvesse “um grande envolvimento” de pessoas com quem habitualmente trabalha, “músicos e companheiros de profissão, como a Carolina Deslandes, o Fernando Daniel, o Djodje e o Nelson Freitas”.

Queria mesmo fazer uma celebração daquilo que é a música em língua portuguesa, música da lusofonia. [No álbum] há artistas de Cabo Verde, de Angola, do Brasil, músicos de todo o lado. Queria também que, no fundo, a minha herança cultural e as minhas raízes ficassem bem presentes e bem visíveis naquilo que é este disco”, referiu o músico, que é filho de pais angolanos.

Se nos álbuns anteriores essas raízes “ficaram mais ou menos diluídas”, em Abensonhado Jimmy P quis “que não houvesse qualquer tipo de dúvida que a música que vem dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa] tem uma influência muito grande” naquilo que faz e na pessoa que é.

Além disso, por ser um álbum editado no ano em que completa uma década de carreira, “tinha que ser especial, tinha que ser simbólico, tinha que ser único”.

Por isso consagrei muito mais tempo e muito mais esforço [a este álbum] e fui um bocado mais experimental, até na abordagem dos temas”, partilhou.

Quando tentou encontrar uma palavra que definisse aquele conjunto de 16 temas recorreu a um dos seus escritores favoritos, o moçambicano Mia Couto.

Tenho vivido a melhor fase de sempre da minha vida e não conseguia definir aquele corpo de trabalho com uma palavra. Sou mega fã do Mia Couto e ele tem aquele livro, de 1994, ‘Estórias Abensonhadas’ e essa palavra em particular diz-me muito”, contou, recordando que Mia Couto “é conhecido por inventar palavras só dele, um vocabulário só dele”.

Depois de decidido o título, o músico entrou em contacto com o editor do escritor. “Pedi-lhe autorização e foi o próprio Mia Couto que respondeu e a resposta dele – a autorizar e a dar a bênção para eu usar essa palavra, porque era um motivo de orgulho – até está no CD”, recordou Jimmy P, para quem a criação de “Abensonhado” tem sido “uma viagem cheia de coisas boas e de surpresas muito boas”.

Além do disco, os dez anos de carreira de Jimmy P serão celebrados com um espetáculo “único”, a 22 de fevereiro no Coliseu do Porto.

Para esse dia, o músico promete “um espetáculo que é em tudo diferente de uma ‘tour’ normal”: “quando estamos em digressão e fazemos 40 ou 50 ‘shows’ por ano há um formato, uma coisa que se repete. As músicas vão mudando, mas o formato é quase sempre o mesmo”.

[O concerto no Coliseu do Porto] foi uma coisa pensada especificamente para aquele ‘show’. O desenho de luz, os conteúdos, a parte musical também, porque temos uma série de coisas a acontecer que normalmente não acontecem no ‘live’, se calhar temos um quarteto de cordas ou um coro de gospel, coisas que não é habitual ver num MEO Sudoeste ou num Sumol Summer Fest, nesse tipo de palcos”, explicou.

Para esse espetáculo, Jimmy P tentou “construir algo que as pessoas levem dali e que recordem para sempre”.

Da lista de convidados que participaram no disco, só não estarão em palco os brasileiros, “porque não vai dar para conciliar agendas”. “Vou ter, se não me engano pelo menos 70 a 80% das pessoas que participam no meu álbum”, revelou.

A escolha do Porto para acolher o concerto de celebração dos dez anos de carreira não foi ao acaso. Jimmy P nasceu e cresceu no Barreiro, mas vive no Porto há 15 anos. “A minha carreira musical começou no Porto, foi ali que as pessoas me abraçaram e foi ali que eu me fiz como artista”.

Portanto “fazia todo o sentido ser ali”, até porque é um concerto e uma iniciativa totalmente independente. Ou seja, não é uma empresa grande, uma produtora de eventos grande a produzir por nós. É um investimento meu e da agência que me representa”, disse.

Com a organização ‘independente’, “o esforço financeiro é maior e o risco também é maior”, mas se tudo correr bem “poderá depois ser feito noutros sítios”.

Depois do concerto, Jimmy P apresenta-se no Festival da Canção, onde irá defender, na segunda semifinal, a 29 de fevereiro, o tema “Abensonhado”, que abre o álbum com o mesmo nome.

No concurso, quis manter-se fiel ao tipo de música que cria profissionalmente: o rap.