Costuma-se dizer que “idade traz maturidade”, certo? Então é sobre isso mesmo que vais ler neste artigo. Não, não vamos falar sobre o crescimento na sua forma científica, mas sim mental. Com o puto que se tornou homem, Luis Anderson aka Monsta.

Foi há praticamente dez anos que a música se tornou parte integrante da sua vida, desde o começo dos Swckerboyz até ao Monsta atual. O grupo era grande, com o passar dos anos cada um traçou o seu caminho, mas fizeram da arte a ligação para todas as ramificações da vida. Luís transformou a sua energia em música e essa música é hoje uma extensão do seu corpo.

Sentados na sala de podcast da Flux, para um especial de Natal – mas que só saiu agora – este é o segundo episódio da terceira temporada de #BANTUMENPodcasts – o nosso jornalista Eddie Pipocas recordou as peripécias que viveu com Monsta, das experiências que passaram juntos e como observou de perto o crescimento de um artista e o hustle que teve de fazer para chegar onde chegou. Desse crescimento nasceu também Da Bwala – termo proveniente da língua kimbundu, falada em Angola, na zona de Luanda, Malange, Bengo e arredores. Bwala significa comunidade, bairro, aldeia ou, na versão em calão, simplesmente gueto.

“Hoje falamos e olhando para o passado, vemos certas coisas desnecessárias que foram ditas no passado. Hoje temos responsabilidades, filhos, mulher. Um caminho a percorrer, isso tudo faz parte do crescimento”, explicou Monsta.

O EP acaba por ser uma retrospetiva da vida de Monsta. Das suas várias moradas até chegar à Linha de Sintra, onde a veia musical nasceu e cresceu. É também uma viagem que foi tornando o Luís no Monsta, um homem crescido que tem a capacidade de inspirar outros com a sua música e narrativa e ao mesmo tempo acolhe-los na sua música.

Este seu último trabalho é uma mistura PALOP, como o mesmo disse. Mosta não se limitou apenas em fazer música, mas em criá-la com novos talentos da “tuga” ou da “banda”, como a Kelly Veiga, Edgar Domingos, Mané Galinha, entre outros. A escolha foi fácil porque estes artistas têm a mesma “vibe” que o rapper. Monsta sentiu uma grande energia e gratidão no processo de criação deste EP, porque foi o sentimento que sentiu com quem trabalhou. “Eu te via no tempo dos Swckersboys e dizia que um dia tinha de cantar com esse Wii” foram algumas das mensagens que lhe foram passadas e tornou o Da Bwala no que é.

MONSTA
Eddie Pipocas & MONSTA | Foto : Miguel Roque / BANTUMEN

“Da Bwala tem a entidade de quem nós somos e quem nós representamos” apesar de no trabalho existirem músicas com estilos diferentes, consegue-se perceber que “esse wii representa os da bwala”. Durante os seis meses em que esteve em prisão domiciliária foi desenhando este EP, fez todo o plano na sua mente, o que tornou fácil a execução do mesmo, as coisas foram fluindo.

É um projecto mais maduro tal e qual a sua pessoa e a música que faz. As responsabilidades que sente agora, tanto na vida como na música, é devido a ter um passado que lhe permitiu evoluir assim como as pessoas que caminharam com ele.

As várias vezes no estúdio que teve de escrever e reescrever versos porque Prodígio não achava que estava bom e isso “fez com que exercitasse também o mecanismo na criação”. Essas experiências fizeram-no ganhar consciência e quer sempre mais qualidade, além de ter mais cuidado com o que escreve e passa ao jovem que o segue.

MONSTA
MONSTA | Foto : Miguel Roque / BANTUMEN

Da Bwala é um trabalho independente, sem selo de nenhuma label, inclusive a Dope Boyz Musik. “Em termos de logotipo apenas, porque o teu irmão não deixa de ser teu irmão e teu cota não deixa de ser teu cota. Dope Musik tá sempre tatuado em mim” clarificou Monsta. O facto de ter agora um trabalho sem selo, é uma forma do rapper encontrar o seu caminho, estruturar e ver a capacidade da sua equipa em termos profissionais, sem pressões deixando que as coisas aconteçam.

Há uma frase de Monsta que marcou este podcast: “Estás a tornar-te no filho que eu sempre quis ter”. Para perceberes a profundidade da citação e o que implicou, faz play abaixo.