Joaquin Phoenix alertou os seus colegas de profissão e toda a indústria cinematográfica para a necessidade de desconstruir o racismo, durante um discurso de agradecimento pelo seu prémio de Melhor Ator nos BAFTAs de 2020.

Durante uma cerimónia com pouca controvérsia, a estrela de “Coringa” foi a única figura do setor a discutir a problemática, alegando que o negócio envia “uma mensagem muito clara para as pessoas de cor que não são bem-vindos aqui. Não acho que alguém queira tratamento preferencial, embora seja isso que damos a nós mesmos todos os anos. Acho que as pessoas só querem ser reconhecidas, apreciadas e respeitadas pelo seu trabalho”, disse o actor.

“Esta não é uma condenação hipócrita, porque tenho vergonha de dizer que sou parte do problema”, afirmou perante todos os presentes no evento.

“Eu não fiz tudo que estava ao meu alcance para garantir que os sets de filmagens em que trabalhei fossem inclusivos, mas acho que é mais do que ter sets multiculturais. Temos que fazer o trabalho duro para entender verdadeiramente o racismo sistémico. Penso que é a obrigação das pessoas que criaram e perpetuam e se beneficiam de um sistema de opressão serem as que o desmantelam. Então é por nossa conta.”

O discurso foi um dos poucos que discutiu as questões de desigualdade na indústria cinematográfica, e acontece depois de os BAFTAs serem criticados por nomear categorias de atuação totalmente brancas.

Scarlett Johansson e Margot Robbie receberam duas indicações de atuação cada.

O vencedor do EE Rising Star, Micheal Ward, um ator britânico negro, também abordou as mudanças que precisam ocorrer na área. O astro de “Blue Story”, extremamente comovido ao receber o seu prémio, disse à imprensa nos bastidores que as histórias de pessoas de cor “são importantes, mas muitas pessoas não as conhecem”.

Quando perguntado especificamente sobre a diversidade na organização, acrescentou: “Estamos a ir na direção certa. Sinto que muitas pessoas não percebem que há oportunidades. É isso que quero mostrar, mostrar que existem oportunidades. Não é como era antes. Quando a vêem, entram em coisas como esta e são nomeadas.”

Bong Joon-Ho, que recebeu o Melhor Roteiro Original e o Melhor Filme em língua estrangeira com “Parasite”, disse à imprensa após a sua vitória que “pelos vários esforços que estamos enviando, naturalmente chegaremos ao dia em que teremos diversidade nesta indústria, de género, sexualidade ou raça.”

O príncipe William também ponderou sobre o assunto, sugerindo que “não é certo nos dias de hoje” termos de continuar a discutir diversidade e igualdade.