Num mundo em que a música não é uniforme, onde ficam os artistas que em tempos brilharam? Kaysha explica.

No seu Instagram, o artista publicou um vídeo de exactamente nove minutos e 49 segundos do seu programa chamado “Inspire”, que serve para inspirar e ensinar sobre os diferentes obstáculos no mundo da música.

Kaysha, que começou a sua carreira em 1992, fala da importância de ter um mentor que explique aos artistas mais novos que a fama é temporária. “Tu és novo uma única vez”, afirmou.

Se antes, nos seus espetáculos a euforia e fanatismo era palpável, hoje, os seus fãs também passaram pela linha do tempo e, além das suas prioridades não serem mais as mesmas, estes também amadureceram e toda a excitação se traduz agora em respeito e carinho. Afinal, os hits do cantor fazem parte do seu processo de crescimento e, muitas vezes, estão associados a momentos importantes ou inesquecíveis.

“Algumas pessoas costumavam vestir as minhas t-shirts, gritar e chorar quando me viam. Hoje em dia essas mesmas pessoas ainda ficam contentes por me ver, mas é diferente, a obessessão passou para amor e respeito”.

Tal como o cantor e produtor, os seus admiradores cresceram e arranjaram outras prioridades que deixaram de incluir saídas à noite e concertos. Logo, é natural que a sua agenda de espetáculos não seja a mesma de há 15 anos. A gestão de carreira tem de ser outra.

“Antes, fazia concertos no minímo duas vezes por semana, às vezes três. Era hardcore. Hoje faço um show uma vez a cada três meses”.

Quem está por dentro do mundo da kizomba e zouk love sabe que Kaysha é um nome incontornável do meio. “One Love” mudou a forma como os PALOP ouviam e faziam kizomba, num ido 2006.

Com alma para o negócio, cedo Kaysha percebeu que ser produtor poderia ser uma forma rentável de continuar ligado ao showbizz mesmo que a sua fama tivesse data de validade.

“Quando estava no topo da minha carreira como cantor, percebi que andava a fazer imenso dinheiro como produtor a vender beats para outras pessoas. Foi aí que pensei ‘se a minha carreira como cantor acabar posso sempre seguir em frente como produtor’.”

O cantor realça que é natural existir um afastamento da fama. O importante é que quem começar esse percurso, tenha consciência que um dia tudo pode acabar.

“Podes ser super famoso durante um ano, um mês, seis meses, 10 anos, 20 anos e mesmo assim voltar a ser esquecido”.

Segundo Kaysha, o caminho da prevenção de um final drástico é arranjar um manager que faça questão de mencionar que o fracasso é uma possibilidade.

O vídeo acaba com um recado importante que apela aos novos artistas e aos seus managers a não viverem no mundo da fantasia que a fama representa, que pode afetar, e gravemente a saúde mental de cada artista.