O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse, em Adis Abeba, que a Europa quer olhar para África com “novos olhos”, passando da abordagem da ajuda para a do investimento.

“Trago uma mensagem clara e forte: A Europa gostaria de olhar para África com novos olhos, ou seja, consideramos muito importante melhorar a nossa relação no futuro”, disse.

O presidente do Conselho Europeu falava, em Adis Abeba, durante um pequeno-almoço com jornalistas à margem da cimeira da União Africana, que hoje termina.

“É muito importante estar mais envolvido, enquanto União Europeia, no apoio ao setor privado e fazer a transição de uma abordagem de ajuda para uma abordagem de investimento, tendo em consideração, por exemplo, a importância de construir infraestruturas robustas no continente”, adiantou.

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Charles Michel, que está em Adis Abeba para encontros com os chefes de Estado e de Governo africanos, no contexto da preparação da cimeira EU-África, marcada para outubro, em Bruxelas, quer tornar o apoio europeu aos países africanos mais eficaz.

“Gostaria que [em outubro] não tivéssemos o mesmo tipo de cimeira em que os países africanos chegam com centenas de prioridades. Gostaria de, nos próximos meses, ter vários encontros bilaterais para entender quais são as prioridades deles e explicar as nossas”, adiantou.

Para o responsável europeu, a prioridade é perceber como a estratégia de desenvolvimento e investimento da Europa em relação a África pode ser mais eficaz.

“É importante ter abertura para perceber como é que é possível fazer mais na nossa parceria e considerar os nossos parceiros africanos como iguais”, disse.

Questionado pelos jornalistas sobre se esta nova relação não deveria começar com um pedido de desculpas a África pelo passado colonial europeu, Charles Michel considerou que o mais importante é perceber como construir esta relação no futuro.

“Cada vez mais as novas gerações na Europa nasceram depois da independência dos países africanos e cada vez mais é possível ter maior ambição para esta parceria com África sem nostalgia”, disse.