No dia 21 de fevereiro assinala-se o 55.° aniversário da morte de Malcom X. Um documentário em formato de série, lançado na Netflix, sobre o assassinato de um dos mais importantes líderes da causa dos direitos civis dos negros nos EUA, levanta uma série de questões suficientes para que o caso seja agora novamente investigado.

O escritório da procuradoria de Manhattan disse na segunda-feira que analisaria o caso depois de novas informações terem surgido, escreve a CNN. O organismo público está a trabalhar com o Projeto Inocência, uma organização sem fins lucrativos que trabalha para exonerar pessoas condenadas indevidamente.

“O procurador público Vance reuniu-se com representantes do Projeto Inocência e advogados associados sobre esse assunto”, disse o porta-voz do Manhattan DA Danny Frost em comunicado. “Ele determinou que o escritório do procurador público iniciará uma revisão preliminar do assunto, que informará sobre que medidas adicionais de investigação podem ser tomadas.”
O anúncio acontece dias depois do lançamento da série documental “Who Killed Malcolm X?”, na Netflix.

A série apresenta o historiador Abdur-Rahman Muhammad, que procura respostas para as perguntas sobre o assassinato de Malcolm X mais de cinco décadas depois, incluindo se os homens detidos foram realmente os responsáveis pelo assassinato.

“As palavras não podem expressar o sentimento que tive ao ouvir que o procurador do distrito de Manhattan, Cyrus Vance, está a pensar em reabrir as investigações sobre o assassinato do meu pai, Malcolm X”, disse Ilyasah Shabazz, em comunicado.

“Espero que essas investigações tragam clareza e transparência em relação a esse ato criminoso devastador contra a minha família e todos os seguidores devotos de um amado Malcolm. O meu pai viveu a sua vida defendendo e em busca da verdade. Ele merece a mesma dedicação à verdade de todos nós.”

O ativista dos direitos civis Malcolm X subiu ao palco de um comício no Audubon Ballroom, em Nova Iorque, a 21 de fevereiro de 1965. Pouco tempo depois, vários tiros foram disparados e o ícone estava morto. Três homens foram condenados em 1966. Mujahid Abdul Halim (conhecido como Talmadge Hayer e Thomas Hagan), Muhammad Abdul Aziz (conhecido como Norman 3X Butler) e Khalil Islam (conhecido como Thomas 15X Johnson) foram condenados à prisão perpétua.

Durante anos, Aziz e Islam afirmaram que eram inocentes. Halim confirmou que participou no assassinato e que os outros dois homens detidos eram realmente inocentes.

Halim tentou absolver Aziz e Islam do assassinato quando foi declarado testemunha a28 de fevereiro de 1966, conforme relatado pelo The New York Times. “Eu só quero testemunhar que Butler (Aziz) e Johnson (Islam) não tiveram nada a ver com isto. Eu estava lá, sei o que aconteceu e conheço as pessoas que estavam lá”, disse Halim.

Aziz, agora com 81 anos, mesmo relutante em confiar na justiça norte-americana, quer limpar o seu nome, de acordo com o Projeto Inocência. Foi libertado em liberdade condicional em 1985, mas teve que lidar com o estigma da condenação por mais de 50 anos. Islam morreu em 2009.