O rap crioulo está a ganhar novos contornos de popularidade dentro da comunidade lusófona. A língua deixou de ser uma barreira e todos os dias ouvimos novos sons que acabam por nos conquistar e ao mercado do hip hop no geral.

É assim que surgem os JXL. Jandir e Law nasceram na Assomada, ilha de Santiago, em Cabo Verde, e os primeiros passos na música foram dados há mais de dez anos.

“O nosso tio sempre trazia cassetes de VHS de videoclipes americanos e a revista The Source – que cobre tudo o que está ligado ao movimento desde os anos 80 – e tentávamos imitar os gajos tanto na maneira de vestir, cantar e essas cenas. Naquele tempo, comecei a cantar e a competir nos concursos de Hip Hop na cidade, o meu irmão ainda estava bem puto e me acompanhava em alguns desses concursos”, explica-nos Jandir.”

Com 15 anos, Law começou também a escrever e a soltar rimas e o sentimento pela música foi se solidificando. Entretanto, teve de se separar do seu irmão. Jandir mudara-se para Portugal à procura de novas oportunidades. A saudade foi-se atenuando com a nova música que ia enviando para o irmão mais novo que ficou no arquipélago.

Law acabou por fundar um grupo, os Ghetto Stars, na cidade do Tarrafal. Por seu lado, Jandir dava vida aos KS, no Porto, norte de Portugal.

Dez anos depois, os irmãos, agora juntos em terras lusas, decidiram dar continuidade ao seu trabalho musical. O afrobeat, afroswing e o hip hop francês são as suas principais influências. Burna Boy, Ildo Lobo, Niska, Davido, Mr. Eazi são os artistas que mais os inspiram. Nesse misto, o intrínseco conhecimento que têm dos gostos um do outro flui na sua música.

“Rikeza” é o projeto mais recente da dupla e é uma perpetuação da história da luta que muita gente trava para atingir a independência financeira e principalmente a riqueza familiar”, afirmam.

O ano de 2020 ainda está no início e os JXL prometem que vão surpreender. “Estamos a trabalhar muito nesse ano e ainda vamos lançar muitas cenas, trazendo uma sonoridade diferente”.

Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".