O Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, atribuiu a Medalha de Mérito à Associação Caboverdeana, reconhecendo o “contributo inestimável” e “esforço meritório” no apoio à comunidade imigrante do país, acabando por criar “um pedaço de Cabo Verde em Lisboa”.

A condecoração, aprovada pelo chefe de Estado a 19 de fevereiro e publicada em Boletim Oficial no dia seguinte, acontece nas vésperas de Jorge Carlos Fonseca participar, sábado, em Lisboa, juntamente com o homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, numa gala de comemoração do 50.º aniversário daquela organização emblemática da cultura cabo-verdiana em Portugal.

No texto da condecoração com a Primeira Classe da Medalha de Mérito do país, cujo decreto presidencial a Lusa consultou, o chefe de Estado sublinha o trabalho desenvolvido pela Associação Caboverdeana também na divulgação, promoção, construção e afirmação “da cultura e dos valores” de Cabo Verde junto da comunidade cabo-verdiana em Portugal, durante meio século.

Com cerca de 1.000 membros, mas apenas algumas dezenas de sócios pagantes, a Associação Caboverdeana é atualmente presidida por José Luís Hopffer Almada.

Jorge Carlos Fonseca recorda no mesmo texto o papel da então Casa de Cabo Verde em Lisboa, aquando da sua constituição, para os cabo-verdianos que à época escolhiam Portugal para viver, estudar ou trabalhar: “Era um espaço de celebração e divulgação da sua cultura. Esse foi o objetivo do grupo de estudantes que, na época, teve a iniciativa de fazer do oitavo andar da rua Duque de Palmela um pedaço de Cabo Verde em Lisboa”.

O texto da condecoração recorda igualmente a organização da ajuda aos trabalhadores cabo-verdianos, à época, da construção civil e da Lisnave, que era feita pela instituição, recolhendo “roupas de inverno” durante as habituais confraternizações de Natal.

Além disso, até à proclamação da independência, em julho de 1975, funcionava também como Grupo de Ação Democrática.

“Houve aposta firme e militante, também bem-sucedida, na luta e divulgação dos ideais da soberania e independência nacionais e na defesa dos diretos e interesses dos cabo-verdianos, por uma sua progressiva integração social”, prossegue o texto.

Após a independência de Portugal, a instituição — entre outras transformações entretanto vividas – foi transformada na atual Associação Caboverdeana, passando durante este período a acompanhar “as mudanças sociais e políticas no país, como espaço de discussão e debate de ideais”, reunindo, em particular, o contributo de jovens estudantes e intelectuais.

Acrescenta o texto da condecoração que nos últimos anos, “graças ao dinamismo e empenho” dos atuais dirigentes da instituição, a comunidade cabo-verdiana em Lisboa “foi alvo de diversos programas de integração e formação de jovens, com destaque para as campanhas de alfabetização, recenseamento e legalização, ensino da língua cabo-verdiana, entre outras, preparadas e realizadas nas suas instalações”.

“Nestes 50 anos de vida, a Associação Caboverdeana foi ponto de chegada, encontro e confraternização de cabo-verdianos, portugueses e de outras nacionalidades, em busca da cultura das ilhas: música, gastronomia, artes plásticas, literatura, debates”, aponta ainda a condecoração, que classifica a instituição como “mais do que uma mera associação” e sim um “centro cultural de Cabo Verde no coração de Lisboa”.

As comemorações do 50.º aniversário da instituição decorrem no sábado, na Casa do Alentejo, lugar que acolheu, em 1969, as reuniões preparatórias que levariam à criação da então Casa de Cabo Verde, em 1970.