Bruno Arquiteto ou Pequeno Génio, como é carinhosamente chamado pelos amigos, é daqueles rappers que surpreendem pela positiva, pela sua humildade e mestria aplicada no seu rap Boom Bap, com uma pincelada de muita métrica, ricas adultas e boa vibe.

Baptizado como Oséias Modesto Capingano, Bruno Arquiteto nasceu a 6 de abril de 1998, na província do Huambo, Angola.

Entrou no mundo da música por influência do rapper Kid MC. Bruno queria fazer rap essencialmente para se tornar “mais um Kid Mc”.

“A música sempre fez parte do meu ar. Quando mais novo, era membro de um grupo coral numa igreja, depois passei a usar a música como meio de dar voz aos meus textos de infância. Sempre gostei de música e um dos meus anseios na altura era saber usar a voz que me vestia que, de tão aguda que era, até me desconfortava.”

Bruno Arquiteto gravou a primeira música com 15 anos e o título escolhido foi “ESCUDO”. O rapper confessou-nos que levou sensivelmente um mês para arquitectá-la. “Esta música foi a primeira forma de me compreender a mim mesmo e ao mundo que girava à minha volta”. Contudo, na altura não achou que fosse relevante partilhá-la na Internet.

Atualmente, está a divulgar a mixtape Arquitectura, que fará parte de uma saga, cujas sequências serão

O que te atraiu neste estilo musical?

O que me atraiu para o “Mundo Hip hop” foi a liberdade que eu nunca encontrei no mundo comum em toda a minha vida. Para além da influência que muitos artistas de rap exerciam sobre as minhas escolhas. Tive em conta a liberdade que adquiriria, para dar voz às minhas fantasias, lágrimas e paixões.

Podes citar alguns nomes que consideras terem relevância no que o Bruno Arquiteto se tornou hoje?

R: As pessoas mais importantes com quem já trabalhei são D.Mahaf, Jhon Drama e FD Shine. Não pela relevância artística que têm, mas pelo nível de contributo que eles tiveram no meu crescimento enquanto rapper.

E quais são as tuas influências na cena Hip-Hop?

As minhas influências ao nível nacional são KID MC e CFK. Ao nível internacional são Valete, Nach, Kendrick Lamar e Jimmy P. Identifico-me muito com eles por serem loucos e, quase pela maioria, incompreendidos.  Sempre senti-me assim dentro do cosmos. O processo criativo do meu mais recente trabalho foi aleatório.

Fale-nos sobre a mixtape Arquitetura.

Ao trabalhar na mixtape Arquitetura redescobrir-me. Nunca me conheci tanto escrevendo. O projeto foi gravado na MF Produções e a sua distribuição está a ser assegurada pela minha produtora Ginásio Mental. Todos os beats foram extraídos da Internet, portanto sem direito autoral que nos assista.

Explica-nos como foi o processo criativo de Arquitetura.

Algumas letras foram escritas com os respetivos beats a rolar, e outras foram adaptadas. O que as letras têm em comum desta vez é a minha vida a todos os níveis. Este projeto levou-me a um autoconhecimento profundo.

Como é o ambiente na produtora?

O ambiente de trabalho na produtora a que pertenço é agradável e inspirador. É composta por rappers, designers e outros com outras tarefas.

Como rapper da nova escola, qual é a tua visão sobre o estado atual da cultura Hip-Hop em Angola?

O rap feito em Angola, em especial o da nova vaga, é em maior parte um vácuo, do ponto de vista lírico. Nota-se pouca ou nenhuma preocupação com questões sociais ou problemas que afetam directamente a geração da qual eles são um pedaço. Há também uma boa parte de rappers a valorizarem os textos, que por sinal sempre caracterizaram essa forma de manifestação artística que é o rap. Mas cada vez mais, o rap oco tem-se sobreposto ao real rap, o que para mim constitui uma grande preocupação.