Para combater o racismo estrutural que a comunidade negra no Brasil enfrenta, o Movimento Black Money desenvolveu uma plataforma de negócios voltada para jovens negros empreendedores.

A iniciativa começou com Alan Soares, nascido em Pilares, no Brasil. As estatisticas são alarmantes, mostram uma realidade que chama a atenção de poucos, mas afeta uma grande parte dos negros em terras de Vera Cruz.

A título de exemplo, 70% da poupulação em cárcere é negra e existe uma diferença de 44% entre os vencimentos de um homem branco e uma mulher negra. Aqueles que lutam paea sair desse ciclo vicioso e pensam em criar um negócio de forma a conseguir aumentar as suas chances de sucesso, tem os recursos limitados, já que a recusa de crédito é três vezes maior para afro empreendedores.

Em conversa com a Forbes Brasil, Alan Soares explica que “é uma comunidade desprovida de poder, tanto institucional quanto financeiro. Não há interesse em financiar programas e políticas públicas especificas para negros. Qualquer que seja o contexto político do país, os negros saem perdendo”.

Explica também que o Movimento Black Money é uma reação a todos os tipos de opressões a que os negros são sujeitados, “uma tentativa de construir uma outra narrativa para uma minoria oprimida”, diz Soares.

O movimento conta com a ajuda de Nina Silva, eleita uma das Mulheres Mais Poderosas do Brasil pela Forbes no ano passado e uma das mulheres mais influentes na área de tecnologia, para o mundo social.

“Não adiantava eu estar dentro de grandes corporações e não conseguir trazer para as empresas a diversidade. A prática seria ter as nossas próprias instituições dentro dessa luta antirracista”, disse Nina à publicação em 2019, altura em que foi eleita.

Nina e Alan querem criar um ecossistema próprio, que seja capaz de suportar todas as necessidades de um negócio, tudo num só espaço.

Usando a Internet, tiveram a possibilidade de democratizar o acesso à informação e também localizar pessoas que tivessem ideias semelhantes à causa. Soares relembra que “passamos a trabalhar em rede, com objetivos mais claros e definidos, a combater a falácia sobre a inclusão da comunidade negra e a contar histórias reais de sucesso.”

Atualmente, o Brasil tem por volta de 112 milhões de negros, que contribuiram com 1,7 trilhão de reais (equivalente a 332 milhões de euros) em 2019, segundo os Estudo do Empreendedorismo Negro no Brasil.

A meta é fazer com que 30% do valor gasto permaneça na comunidade negra

Soares acredita que essa quantia deveria estar nas mãos do mesmo grupo racial. “Por que deixar isso na mão de outro grupo racial?” pergunta. “É mais lógico negros consumindo de outros negros”.

A meta é fazer com que 30% do valor gasto permaneça na comunidade negra e admite que “essa é uma mudança de mindset da própria comunidade, um trabalho contínuo que não pode parar nunca.”

Para levar essa lógica em prática, seria necessário gerar uma oferta, sendo que já existe demanda.

Com isto, decidiram fundar a Afreektech, uma adição ao Movimento Black Money, que oferece cursos de modelagem de negócios, vendarketing (vendas e marketing) e programação para iniciantes. Até agora, já ajudou mil pessoas com a colaboração de instituições terceirizadas como a Gama Academy.

No futuro, o Mercado Black Money quer criar uma relação entre os compradores e os vendedores negros. O movimento vai estrear-se em março, como um mercado específico para comercializar produtos de vendedores negros para qualquer etnia.

“Sabemos que esse negócio vai demorar mais para decolar do que os outros do mesmo tipo, que contam com grandes investimentos”, conta Soares.

Contudo, a plataforma já tem planos de fornecer outra funcionalidade, o acesso ao crédito.

Como referido em cima, os empreendedores negros têm mais dificuldade em conseguir um empréstimo, e esta solução é exactamente para isso, criar uma instituição financeira exclusiva para estes.

D’Black Bank é o nome da instituição financeira, que vai buscar recursos em fundos internacionais e investimentos P2P. “Dinheiro não falta, o que acontece é que a régua que existe hoje exclui a população negra.”

O objetivo mais importante, aos olhos de Soares, é ter daqui a cinco cinco anos uma plataforma que “tenha tomado o Brasil todo e que o seu modelo seja exportado para os vizinhos, como Colômbia e Caribe, até chegar a África”.