Muito se tem ouvido falar de quarentena. Quem deve estar, como e quais as medidas a tomar, mesmo ficando dentro de casa para evitar a propagação do vírus? E o que a população em geral pode e deve fazer? Afinal, o que é estar de quarentena?

Como em muitos outros países, em Portugal o número de casos confirmados com o novo coronavírus – Covid-19 – tem aumentado de dia para dia, assim como os contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Segundo Carlos Palos, especialista, coordenador da comissão de Controlo de Infecções e Resistência aos Antimicrobianos da Luz Saúde, é necessário manter uma certa tranquilidade da população e lembra que quem apresentar sintomas deve manter-se em casa e contactar as autoridades de saúde. Nem todos os casos suspeitos de contaminação precisam de assistência hospitalar e deve evitar-se o congestionamento dos hospitais. “Nós não sabemos qual é a percentagem de pessoas que têm o vírus mas não têm sintomas. E algumas pessoas têm o vírus e têm sintomas, mas os sintomas são tão leves, tão leves, tão leves, que não vão procurar, felizmente, apoio médico”.

A Organização Mundial da Saúde declarou, nesta quarta-feira (11), que o novo coronavírus é uma pandemia – o que significa que o vírus é considerado, a partir de agora, capaz de viajar continentes e atravessar fronteiras. Logo, existe uma necessidade maior de isolamento e de quarentena de forma a que não se alastre o vírus.

A quarentena é um tipo de reclusão que é aplicado a um determinado grupo de pessoas que estão ainda saudáveis, mas que podem ter sido contaminadas e assim evitar que a doença se espalhe. Foram muitas as vezes na história que este tipo de procedimento foi utilizado.

A quarentena é sempre adoptada em casos de doenças graves e com grande facilidade de transmissão. Como aconteceu na da cidade de Wuahn, na China, onde o vírus surgiu e agora em Itália.

De acordo com o Ministério da Saúde portuguesa, o tempo de quarentena é iniciado logo após o contacto com um indivíduo com um caso clínico ou portador, ou a partir da data em que saiu de um local onde exista uma forte fonte de infecção.

No caso do Covid-19, por exemplo, o Brasil fez os possíveis para retirar os brasileiros que estavam na cidade chinesa de Wuhan, local onde a doença teve início, para que ficassem em quarentena no seu país de origem.

Para além do que muitas pessoas pensam, a quarentena não se refere obrigatoriamente a 40 dias de reclusão. O tempo é determinado de acordo com o período de incubação da doença.

Por exemplo, para uma doença que tenha um período de incubação de 10 dias, ou seja, a pessoa começa a desenvolver os sintomas dessa enfermidade após 10 dias de contato com um portador, a quarentena, nesse caso, deve ter o mínimo de 10 dias. No caso do Brasil, o tempo de reclusão foi de 18 dias.

Mas há algo que é necessário explicar, quarentena e isolamento são duas definições diferentes. Quando uma pessoa é posta em quarentena, é afastada da população, mesmo que não apresente sintomas, tratando-se apenas de uma precaução por ter tido contato com um doente. E só é isolamento quando a pessoa está comprovadamente doente.

Como já referimos acima, há vários casos de quarentena na história. No século 14, durante a Peste Negra que se espalhou pela Europa, por exemplo, Veneza impedia o desembarque de navios. Tripulação e passageiros deviam esperar 40 dias para que isso fosse possível.

Para terminar, o Covid é um tipo de vírus responsável por desenvolver infecções respiratórias que podem ter consequências graves, inclusive a morte do indivíduo. Os primeiros casos da doença foram registrados no final de 2019, e, em janeiro de 2020, o agente causador foi identificado.

Os primeiros casos da doença surgiram em Wuhan, na China, a qual foi submetida a uma quarentena a partir de 23 de janeiro. No dia 07 de fevereiro de 2020, o novo coronavírus, como ficou conhecido o 2019-nCoV, já havia causado a morte de 637 pessoas e mais de 31 mil casos já haviam sido confirmados.