“Já passei por muitas estradas e hoje sou um homem mais completo e com mais confiança na vida”. É com esta frase assertiva que Don Jaga começou a sua entrevista com a equipa da BANTUMEN. Encontrámo-nos com o artista nos estúdios da Flux, para uma entrevista informal e saber o que tem andado a fazer nos últimos tempos.

Para quem passa ao lado do nome, Don Jaga cria música há 12 anos. Saiu da margem sul do rio Tejo, com 11 anos, para ir viver no Reino Unido com a família.

Em 2009, teve a oportunidade de participar no programa Lusavox, da RTP, que pretendia dar a conhecer os talentos existentes nas comunidades portuguesas na área da música e reforçar os elos identitários portugueses na diáspora. “Fiz um som chamado ‘Fé e Esperança’. O Pedro Abrunhosa foi juiz e ganhei graças a ele. Ele sentiu o meu som. Era um rap num boom bap e estava a cantar o refrão como fazem agora, com autotune, e naquele tempo os puristas não aceitavam. E tive ‘um respeito’ do Makas, dos Black Company, que me deu um holla nesse dia. Nunca hei-de esquecer esse dia”, explicou-nos Jaga.

Tiago Giovetti Teixeira, o seu nome de batismo, carrega no sange as origens luso-angolana, cigana e italiana. Em cima desse misto, há ainda o fato de Jaga ser um eclético consumidor de música. Quando começou a criar música, as suas primerias produções refletiam o que ouvia.

Já no UK, associou-se a Bigkryz e Big Da Don e criaram a USG (Usual Supect Gang), com que trabalhou oficialmente até 2015. Numa colaboração que fez para o projeto Pure Koke Vol. II, do seu “irmão de peito” K.Koke. Com esse feat, Jaga inscreveu o seu nome no primeiro lugar do iTunes Hip Hop Charts UK, sob o selo da Sony RCA e da Roc Nation de Jay Z.

“Aos 16 anos estava a fazer o estilo dos Wu Tang. Um gajo era dessa escola, Tupac, Biggie, Big L, comecei por aí. Também ouvia Master P, Juvenil, Lil Wayne, ouvia muito Cash Money quando ainda não era cool. Também ouvia dancehall, reggae, raga, tudo isso fez parte da minha infância e musicalidade e então tudo isso reflete-se ainda hoje na minha música”.

Apesar de ter comçado cedo a fazer as primeiras produções, Jaga diz-se sentir-se artista no verdadeiro sentido da palavra, desde 2011 ou 2012.

Entretanto, criou a Bravo Boyz, um grupo PALOP no Reino Unido, com Bigkryz e Big Da Don, e mais tarde juntou-se aos ingleses USG (Usual Suspect Gang).

Considera-se um pioneiro. “Fui um dos primeiros da minha geração a cantar o rap ou a utilizar o autotune.”

Esse savoir-faire valeu-lhe comparaçōes com o grande Nate Dogg. O que podemos ver em participações como “Do UK à Tuga”, com Poetik, Prodigio e NGA onde Jaga “rebenta” com o refrão.

2018 foi o ano do seu grande retorno, com o EP homónimo. O projeto é uma amálgama de sons e géneros que refletem a sua personalidade, junto com assuas heranças africanas e latinas. A festa de lançamento do EP foi bem sucedida e foi recebida por fãs antigos e novos ouvintes, que esperam mais continuidade deste artista único, que desde sempre esteve à frente do seu tempo.

Hoje, já sem os USG na back, apesar de continuarem a ser família, está a distribuir a sua música de forma independente.

Sabe mais sobre o que Don Jaga tem para nos oferecer, através da entrevista vídeo abaixo.