O Coronavírus tem sido um desafio para praticamente toda a gente, a nível mundial. Este não é só um desafio de cada Estado, é mais do que tudo um desafio pessoal, que requer o engajamento e esforço pessoal de cada cidadão. O Coronavírus deve servir-nos de lição.

Nunca antes um problema levou ao trabalho em uníssono de tantos países, nem mesmo durante as guerras mundiais do século XX. Como sabemos, e se seguirem o meu trabalho tanto no Instagram como nos Hanormais, notarão que tenho tocado numa tecla de forma repetida: quais são os desafios da tua (nossa) geração? Tendo crescido em Angola, sempre ouvi que os desafios dos meus antepassados tiveram alguma ligação com a escravatura, os desafios dos meus pais tiveram que ver com a guerra de libertação… mas isto deixou-me uma pergunta – quais são ou serão os meus/teus desafios? Essa sempre foi uma pergunta que assolou, e ainda assola, o meu subconsciente.

De boca cheia, sempre respondi que “o desafio da minha geração tem a ver com levar a democracia e a educação a todos os angolanos”. Era tão bom… Mas a vida ‘pega’ e dá-me uma ‘bassula’ (rasteira). ‘Toma corona, para veres o que é bom!’ Leiam, claro, com ironia.

O Corona veio mostrar que um espirro na China ‘’ecoa’’ em África e no resto do mundo. Somos de facto uma aldeia global! O Corona veio mostrar que somos todos iguais e que todos os complexos de superioridade, riqueza, superficialidades não passam disso mesmo, meros conceitos. Porque no final do dia, estamos todos ligados e somos igualmente feitos de carne e osso.

Veio também mostrar que tomamos a saúde por garantida. Temos visto que pessoas com enfermidades anteriores têm mais chances de sucumbir… temos que cuidar de nós, mentalmente e fisicamente.

Igualmente, mostra-nos o quanto as redes sociais conectam cada vez mais pessoas e o quanto África está isolada… como levaremos informação e contacto às aldeias? Como poderemos dizer aos trabalhadores dos mercados informais que não poderão sair às ruas para ir buscar o seu pão? Esta pandemia mostra-nos que a corrupção e a pilhagem mata tanto quanto o vírus… preciso explicar? Hospitais, educação, água, energia elétrica são recursos necessários mas nunca tanto quanto hoje!

Veio ainda mostrar-nos a fragilidade das ‘ditas’ potências… os EUA vêem-se ‘aos papéis’ para conter o avanço, a China demorou meses para conter a situação… e nós, pequeninos, perguntamo-nos: “e quando nos pegar, vamos fazê cumu, se os caenxe tão a apanhá surra?!”

Pessoalmente, sinto que para além de tudo isto, mostra-me algo bastante importante… a importância dos momentos! Continuamos a valorizar coisas quando o que fica são os momentos… uma ida ao bairro alto, um copo no café Del Mar com os amigos, um abraço, um beijo, um sorriso, o calor humano… isto faz-nos falta.

Então, concluí que o desafio da nossa geração passa por respeitarmos as normas e ficarmos em casa, sermos mentalmente fortes e assim vamos nos aguentar.

Desta vez, o inimigo não tem farda verde mas marcha rápido, as nossas armas são a comunicação, os nossos bombardeiros são as nossas mentes e a vitória depende de nós, ao contrário do que aconteceu com os nossos antepassados. Façamos a nossa parte. Depois disto passar, que coloquemos as nossas vidas em perspectiva. Vivamos mais os momentos e menos as coisas.

Relembramos-te que a BANTUMEN disponibiliza todo o tipo de conteúdos multimédia, através de várias plataformas online. Podes ouvir os nossos podcasts através do Soundcloud, Itunes ou Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis através do nosso canal de YouTube.

Danilo Castro é um multifacetado criador. Nascido em Angola, explora diversas facetas desde empreendor, DJ e Produtor, influênciador digital, cronista, entre muitas outras. Licenciado em Direito em Lisboa e com diversas outras formações académicas na mesma cidade, desde tenra idade aventurou-se em diversas actividades tendo sempre se destacando pela sua forma de expor o seu pensamento seja através das redes sociais seja por outras formas da sua expressão artística ou académica.