Tal como acontece no resto do mundo, Angola está a travar uma séria luta para conter o avanço da COVID-19, a doença que está assolar o mundo desde há três messes. A doença foi identificada pela primeira vez a 1 de dezembro de 2019, na província chinesa de Wuhan, mas só no dia 31 foi reportado o primeiro caso de infecção.

Hoje, são mais de 460 mil infectados e 20 mil vítimas mortais no mundo inteiro.

Angola entrou recentemente para o gráfico de países afectados pelo vírus. Até ao momento da publicação deste texto, foram confirmados quatro casos, todos provenientes de Portugal, através dos voos do dia 17 ao dia 20 do corrente mês.

As autoridades locais decretaram o estado de emergência pública, que entrou em vigor nesta sexta-feira, 27, e que terá a duração de, pelo menos, 15 dias.

A questão agora é: como será a vida dos angolanos até lá?
O comércio informal em Angola é umas das principais fontes de rendimento de muitas famílias.

Os zungueiros, homens e mulheres que vendem todo o tipo de produtos na via pública, que já são bastante afetados pelas precárias condições sociais e financeiras, vão ser uma vez mais o elo fraco desta nova crise. É uma classe que não tem escolha: ou passa fome ou vai para a rua ganhar o pão de cada dia. Muito provavelmente, a fome em casa vai falar mais alto que a própria segurança.

há ainda o facto de que Angola enfrenta uma das suas maiores crises económicas desde 2014. O preço da cesta básica alcança valores quase inatingíveis para muitas famílias e, no dia-a-dia ouvem-se debates e efetivação de medidas políticas e sociais que, na prática, não produzem qualquer feito.

Pedir ao povo para ficar em casa poderá, neste caso, matar mais que a COViD-19.

Em vários fóruns, levanta-se a questão sobre a imposição de isolamento social decretado pelo governo ter sido ou não demasiado prematura. Em declarações à agência Lusa, Adriano Manuel, presidente do Sindicato de Médicos de Angola, disse que de forma geral a classe médica angolana está preparada para a situação da covid-19, “mas o grande problema são as medidas de biossegurança de que o país não dispõe”.

Nessa luta que enfrentamos, a comunicação é fundamental. É preciso explicar ao povo os riscos da doença e a sua forma de prevenção, mas como lidar com a situação se, muitas vezes, em casa, e até mesmo nos hospitais, falta o básico como água?

Segundo o responsável do sindicato, “encorajar um médico para trabalhar nestas condições fica muito difícil. Quando não temos quase nada, temos hospitais que nem água potável têm. Há médicos a trabalhar sem luvas nem máscaras. Quando isso acontece é caso para dizer que a situação não está boa”.

Por outro lado, há um Estado assustado por conhecer o seu frágil sistema de saúde e, se o número de casos sair fora de controlo, temo que esta se torne numa catástrofe, uma verdadeira guerra biológica, e poucos são os motivos que me levam a crer que dela sairemos vencedores.

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