Valham-nos os artistas. São eles quem nos permite levar de sorriso na cara esta quarentena, que pode ter momentos mais sombrios e, até mesmo, desesperantes.

O cantor de Tavira, Algarve, apresentou ao mundo esta sexta-feira, 3 de abril, o seu novo álbum, Kriola, produzido pela mesma equipa que trabalhou em Mundo Nôbu. Vado Más Ki Ás e Julinho KSD são as participações que integram o novo projeto.

e não fui da base que trabalhou na produção executiva do álbum de 2018 “Mundu Nôbu” constituída pelo angolano Kalaf Angelo e por Seiji o um músico e produtor de Berlim, nascido em Londres.

O conceito e design da artwork ficou entregue a Alexandra Moura que vem a trabalhar com o Dino na sua indumentária, e o artwork do álbum pelo vasco Chaparro.

“A crioulização do mundo é um movimento imparável nas sociedades contemporâneas, transportando consigo conflitos, cultura, criatividade, herança e festa. Lisboa reflecte-o. Dino d’ Santiago assume tudo isso em Kriola, o seu novo álbum, depois do retumbante sucesso do anterior Mundu Nôbu. Mais uma vez, temos música consciente da sua variedade de raízes, sejam elas cabo-verdianas ou portuguesas, mas de apelo global, ativando tanto a preservação de géneros tradicionais como criando novos híbridos modernizados, com o crioulo e a língua portuguesa participando na mesma corrente”, pode-se ler no comunicado enviado às redações.

Convenhamos, Dino transformou-se num dos artistas de maior impacto em território português nos dois últimos anos. Um verdadeiro embaixador. De Portugal. De Cabo-Verde. De um mundo novo que nasce das mestiçagens culturais.

Dino D’Santiago tem uma personalidade onde se vislumbram dois vectores: o cantor de grandes recursos, capaz de incendiar multidões, como se viu de norte a sul de Portugal, e também por essa Europa fora, e também o ser humano com acento no lado humano.

Este álbum foi criado entre Londres e Lisboa, com canções de voz envolvente, filtros electrónicos e ritmos como o batuque ou o funaná, tanto exteriorizando emoções de celebração da vida, como de recolhimento, em momentos mais virados para o interior. Revelando palpitações de Santiago, em Cabo Verde, de Lisboa, de Londres, Lagos, na Nigéria, ou de Luanda. “A cachupa instrumental”, como diz Dino, “desta vez viajou do batuku ao ozonto, da coladera ao grime, sempre com o tempero final dado pelo funaná que descansa no arriscar de um tarraxo.” É isso. É uma obra com muitas fronteiras, mas sem limites, naquele que é o seu álbum mais completo em termos sonoros mas não só. Já se tinha percebido no anterior trabalho. Ele quer ir além do simples entretenimento. Quer deixar um legado.

O autor do celebrado “Nova Lisboa” assume que Kriola é o seu álbum mais activista, onde a Morabeza da linha de Sintra, fixa que o crioulo é a segunda língua mais falada na capital portuguesa e ainda assim, as mães negras continuam a chorar por equidade, enquanto gritam “Nhôs Obi”!, ao mesmo tempo que os jovens furam os preconceitos e nos provam na rua diariamente que “nu ta mistura, Nôs tudo eh Kriolu!”.

Com ‘[KRIOLA] voltam também os cúmplices musicais que o acompanham desde o ‘Mundu Nôbu’. Seiji, Branko, PEDRO, Kalaf Epalanga, Toty Sa’Med, Djodje Almeida e Toni Economides juntam-se assim a Julinho KSD e Vado MKA para dar vida a este projeto.

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