Com as medidas de prevenção adoptadas pelos governos para travar a pandemia de Covid-19, a vulnerabilidade, quer social como financeira, de várias populações é alarmante.

Em África, o número de infetados já chegou a mais de dez mil pessoas, com mais de 500 mortes, uma soma surpreendente considerando que, até há um mês, muito poucos países registavam casos e as mortes contabilizavam-se na casa das duas dezenas.

Na África do Sul já existem pelo menos 1.749 casos confirmados, o que obrigou o governo a reduzir o número de estabelecimentos abertos para serviços essenciais, criando assim uma crise social entre a população mais desfavorecida.

Contudo, nem tudo é negativo, esta onda de desemprego e aflição financeira tem ajudado a criar paz e entendimento entre organizações criminosas nas zonas rurais da Cidade do Cabo.

Os gangues locais decidiram acabar com a guerra, temporariamente, e juntaram-se a organizações rivais para levar comida às suas comunidades e casas mais necessitadas.

Num vídeo publicado no site da BBC, conseguimos ver dois chefes de gangues rivais, transformando a cena em algo inédito. “O que estamos a experienciar aqui hoje é um milagre, alg§1o absolutamente incrível”, diz Andie Steele-Smith, um pastor que trabalha ativamente com membros de gangues.

Tudo começou no dia em que o governo sul-africano decretou o estado de emergência, a 16 de março. O pastor recebeu um telefonema dos líderes rivais a pedir ajuda: “Andie nunca te pedimos nada, mas estamos a passar necessidades”, disseram os líderes.

As comunidades locais da Cidade do Cabo têm se aguentado com a ajuda de Andie e os seus recursos, mas não se sabe até quando.

Quando questionados por jornalistas da BBC se a paz irá durar para sempre, os membros dos gangs responderam que: ” isso não podemos garantir, pode durar até ao final da quarentena, mas o resto ponho nas mãos de Deus”.

Por agora a paz reina e este é um exemplo de que há bondade e união mesmo onde já existiu criminalidade e ódio.