Numa bela tarde soalheira, estivemos a ouvir “Baby” de Cire, um single cuja base ressalta os ritmos africanos e caribenhos, que tão bem casam desde os anos ’80.

O artista português é o responsável pela composição da letra e a produção é de Ransom Beatz. Quanto à mistura, masterização e guitarra levam a assinatura de Tommaso Antico.

“Baby” é uma declaração amorosa à sua “Maria”, onde o artista expressa o que sente, com uma letra que viaja entre o português e o criolo.

O seu nome de registo é Luís Miguel Gonçalves Boavida, tem 28 anos, nasceu em Vila Franca de Xira, arredores de Lisboa, e carrega nas veias sangue português e moçambicano.

Sobre a sua persona artística, o nome Cire surgiu com o objetivo de ocultar a sua identidade, numa altura em que ainda não fazia música mas integrava um grupo de grafitti, criado pelo graffwritter Vile. Dos membros, fazia parte também Raptor, irmão de Cire falecido em 2010. “Nessa altura juntei as quatro letras com que mais me identificava e formei o nome”, relembra-nos o artista.

O seu primeiro contato com a música surgiu por influência do seu irmão Raptor.

Em 2016, após acumular várias visualizações no YouTube, Cire assinou o seu primeiro contrato profissional com a World Music Agency, realizando espetáculos em Portugal, inclusive no Altice Arena. Contudo, em 2019, o artista decidiu seguir a sua estrada de forma independente.

A sua essência, desde que lançou a primeira música até hoje, Cire garante que “é a mesma”. E é isso que o leva agora a começar a voar mais alto, como por exemplo ter chamado a atenção de DJs e produtores de renome como MadKutz e DJ Cruzfader, este último escolheu um single de Cire para integrar o Hip Hop Series Vol.4.

No ano passado, o cantor chegou a colaborar com o rapper Mota Jr, que se encontra atualmente desaparecido, na música “Vozes”. A faixa integrou a tabela de tendências do YouTube, na altura do seu lançamento.

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BREVEMENTE | CIRE x @officialmotajr – VOZES | FIQUEM ATENTOS 🔥💀

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Numa altura em que estamos todos fechados em casa, devido ao coronavírus, que afectou algumas datas na sua agenda, Cire continua a “escrever e a gravar algumas coisas” e passa, sobretudo, o tempo com a sua família e a filha Lara. A pandemia adiou “dois concertos em Londres para os quais estava muito entusiasmado”, visto ser uma estreia em terras de sua rainha, mas a vida continua e o foco está no futuro.

“Vou lançar mais singles a solo e outros com algumas participações”. Em abril deverá haver novo single, apesar de ainda não ter título divulgado, explicou-nos o cantor.

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Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".