Como nos abstermos da ansiedade, do tédio e do medo causado pela pandemia do coronavírus e continuar a trabalhar? Foi uma das perguntas que a BANTUMEN fez ao Samuel da Paz, conhecido como Garoto Florido, diretor criativo e fundador da iD Prod, produtora criativa de São Paulo, no Brasil.

Garoto é um jovem brasileiro que começou a sua trajectória profissional já há alguns anos. Há cerca de 8 anos trabalhou com publicidade e, hoje, tem-se focado mais em projetos culturais, e ainda assim, continua “a estudar para investir em mais negócios”, explicou-nos.

Sendo um homem de negócios e ao mesmo tempo alguém que constantemente precisa de encontrar criatividade para “criar histórias e conectar pessoas”, como se lê na descrição do seu site, tem encontrado formas de combater o confinamento e tem conseguido trabalhar.

Mas nem sempre é fácil, as dificuldades mudam e se transformam a cada dia que passa, o que na maioria das vezes acaba por criar um bloqueio criativo em que a concentração passa a ser secundária e o futuro distante. “Uma das maiores dificuldades que tenho enfrentado é de concentração, e o que fazer quando se tem um surto. Durante a quarentena tive muito mais ansiedade do que o normal, acredito que seja pela falta de perspetiva sobre o nosso futuro.”

A única forma de fugir a um eventual estado letárgico é evitar pensar no futuro. “O presente é já, é esse o foco. Isso ajuda-me a pensar em coisas que eu posso fazer, em como posso ser útil para mim mesmo e para outras pessoas, mesmo à distância.”

Samuel tem a possibilidade de trabalhar através de casa, algo que muita gente não pode fazer. Mas mesmo assim, o facto de se encontrar em casa não significa que o trabalho seja mais produtivo do que o normal. Para que a produtividade seja quantitativa com a qualidade, Garoto explica que é necessário encontrar novas formas de trabalhar. Evitar o sofá ou a cama, e utilizar mesas ou secretarias. Quando precisa de falar com alguém ou marcar uma reunião, é importante que essas sejam feitas por vídeo-chamadas para que as dúvidas ou a realização dos trabalhos seja em simultâneo, “foram coisas que eu testei e que deram certo.”

Mas e depois, quando o horário do trabalho acaba, o que fazer em casa? O tédio pode tomar conta e a televisão ou computador com filmes e séries podem ser a única alternativa de entretenimento. Para Garoto, a solução está em a pessoa se redescobrir e reinventar, ao encontrar ou criar novos hobbies, como cozinhar ou treinar em casa, meditar ou praticar uma espiritualidade. Uma das coisas que tem ajudado a passar o tempo da melhor forma é assistir filmes com amigos, em salas de conversação como a Netflix Party, a conexão com a família, e “aumentar o diálogo com pessoas que me importo”.

Samuel da Paz aconselha ainda que umas das coisas mais proveitosas nessa quarentena é, também, ouvir podcasts com assuntos do seu interesse ou sobre diferentes temas e evitar ler em demasia notícias sobre a pandemia.

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