Corona Vírus; Covid-19; Quarentena; Distanciamento Social. São as palavras-chave deste tão aguardado 2020.

Sou guineense e vivo na Guiné-Bissau, um país pobre sem aproveitamento dos seus vastos recursos naturais, mas rico em calor humano. Calor este que foi, obrigatoriamente, reduzido ao frio da saudade das pessoas com quem habitualmente convivíamos diariamente, fora do ambiente domiciliar.

Embora triste, e por vezes frustrante, sabe-se que é o melhor a fazer para a nossa própria protecção e dos que amamos. Ainda assim, há quem desobedeça às ordens… Uns por necessidade de ganhar o seu pão de cada dia, outros por mero desprezo à gravidade desta situação, que gera pânico em países ditos de primeiro mundo. Então e por cá, o que será de nós?

O Estado de Emergência num país amplamente analfabeto, devido a um microorganismo, invisível a olhos nus, sem a adequada sensibilização da população deu vida ao velho ditado “Ver para Crer” e, infelizmente, eu creio que só quando virmos os nossos familiares, amigos e conhecidos em perigo de vida iremos acreditar na existência desta “coisa” que não se vê.

Arrisco-me a falar em nome de todos ou, pelo menos, da maioria, quando digo que por cá foram tomadas medidas apropriadas a outros países, não ao nosso. Não podendo falar de todos, enalteço as nossas mães, que são “bideiras” (vendedoras desde as primeiras horas de sol às últimas) e se não saem para vender, não comem nem dão de comer aos filhos; no entanto estão proibidas de o fazer.

Sugiro que os nossos governantes copiem também outras medidas, como oferecer alimentos de longa durabilidade e produtos de primeira necessidade às famílias mais carenciadas. Este amor ao próximo até se tem cumprido, mas puramente por iniciativa própria entre irmãos guineenses: refiro-me não só à oferta, mas também à sensibilização dos que mais precisam, de uma forma dinâmica. Somos ricos em calor humano, lembram-se?

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PERGUNTA DO DIA: Que medidas devem tomar as autoridades guineenses para minimizar o impacto do novo coronavírus na economia? Em entrevista exclusiva à DW, o ministro das Finanças João Fadia admite que o país vai perder 50% das receitas fiscais e que 80% da população sofrerá com a baixa do preço da castanha de caju no mercado. E os efeitos da pandemia de Covid-19 já estão a ter um impacto negativo na economia guineense: com a obrigatoriedade de ficar em casa, a situação é cada vez mais complicada para as famílias e trabalhadores do setor informal. As autoridades estão a discutir o futuro da economia com o FMI e contam também com ajuda do Banco Mundial e do Banco Islâmico de Desenvolvimento. #guinebissau #covid19 #coronavírus #fmi #economia #debate #perguntadodia

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Restrições de circulação pelas ruas, horário limitado de funcionamento de feiras e outros estabelecimentos de serviço ao consumidor, aulas suspensas sem data prevista de recomeço, preços abusivamente elevados, falta de informação, fome, preocupação, desespero, cansaço, agressões físicas por parte de agentes da autoridade (em caso de incumprimento das restrições). Um belo cocktail explosivo, servido a um povo sofrido, mas combatente. 

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