Bob da Rage Sense dispensa apresentações. O MC angolano que se encontra a residir em Londres traz-nos, em plena pandemia, o remédio perfeito para os amantes de música, cinema e arte no geral. O seu mais recente trabalho, com o título As Aventuras de Robbie Wan Kenobie, conta com nove faixas e foi todo produzido por SP Deville.

Entramos nesta aventura logo com uma percepção clara do que o MC nos oferece. A primeira faixa, “Droids”, tem uma abordagem cheia de metáforas, é claro o conceito da obra, logo pelo visual que remonta ao universo “Star Wars” e com referência a personagens da lendária saga.

Na faixa “A Disciplina do Jedi” sentimos o renovar de votos com a integridade e verticalidade aos valores que defende desde sempre, mas de modo bem simples e terra a terra, de timbre honesto. A sonoridade é como um tapete aveludado onde caminhamos sem esforço. Esta é daquelas faixas que no final ficamos com vontade de fazer replay.

Em “O Equilíbrio da Força” constatamos o reencontro de um elemento que há já algum tempo não gravitava no universo do nosso Jedi: Laton. O cantor emprestou a sua voz ao tema onde Wan Kenobie aka Bob DaRage Sense denuncia as armadilhas do ego, o efeito de toldo à razão, que o levou muitas vezes a preferir estar acompanhado pela solidão.

Na faixa que se segue, é claro que o nosso Jedi está de mão esticada mas não para cumprimentar e sim liricamente dar um valente puxão de orelhas a todos os “trenders” que confundem barba rija com penugem. Rimas diretas e incisivas acompanhadas de uma batida com nuances de blues com hip hop groove de “Philly”.

Em “Por Trás de Uma Parede Branca” estamos diante um desabafo contínuo, numa retrospectiva desde os tempos de criança a uma análise das vivências em idade adulta com implícito agnosticismo. Uma reflexão não datada de um momento intenso de confinamento emocional.

“Não Existe Porquê” começa bem melódica, com canto apelativo, atmosfera sonora e meio “retrowave” contagiante.

Em “Dark Side” SP Deville que é o único bespoke sónico da obra, partilha a faixa com Bob, onde se sente a entrega “sem filtros” e a forma como a poesia se estende na métrica. De referenciar que o instrumental é bastante terapêutico.

“A Guerra Dos Clones” é mais um manifesto critico à dormência do humano, às suas questões existenciais que são remotamente ignoradas e infectam a sociedade onde parecemos iguais de aparência mas que não passa de mera ilusão. Os pianos do início funcionam como que um despertador para o compromisso do Jedi de elucidar os adormecidos.

A nossa viagem guiada nas “Aventuras de Robbie Wan Kenobie” termina com a faixa “Informação”, onde, para não fugir à regra, são denunciadas as palavras de ordem e toda a metodologia de lavagem cerebral a que somos submetidos diariamente. A música decorre num beat Boom bap puro. Bob desfere golpadas líricas, num misto de rap skils com mensagem séria e de um nível de maturidade elevado.

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