São muitas as marcas que têm ajudado na luta contra a pandemia em que vivemos. Marcas que se pautam pela elegância, glamour com um estilo urbano e ao mesmo tempo andam a par com as tendências no mundo da moda.

Se podemos combater o Covid-19 com estilo e responsabilidade? “Sim, podemos, ao seguirmos as recomendações da Direção-Geral de Saúde. E para tal, começámos a produzir máscaras comunitárias de tecido para o uso geral da população. Vamos reservar as máscaras cirúrgicas para os nossos profissionais de saúde e para as pessoas mais vulneráveis”, respondeu-nos Roselyn Silva, CEO da sua marca homónima.

No início desta quarentena, poucos acreditariam que a situação se pudesse agravar, assim como da veracidade de uma possível pandemia. Roselyn, empresária e estilista, confessa que fez parte desse número de pessoas. “A minha atitude foi um bocado céptica e que isto não ia ficar assim, ia passar.”

Roselyn Silva / Foto: BANTUMEN
Roselyn Silva / Foto: BANTUMEN

Mas à medida que as coisas iam avançado e ficando cada vez mais sérias, Roselyn sabia que podia fazer algo para ajudar. Após cada vestido que fazia, cada saia midi que confeccionava – característica da sua marca, e um dos produtos mais procurados – e a cada conjunto que idealizava tanto para mulher ou homem, sobravam sempre tecidos para retalho ou desperdício. Foi assim que a estilista encontrou uma solução para o seu ateliê que se encontrava fechado e as costureiras em casa. “Então pensei, porque não fazer máscaras e reaproveitar os tecidos que lá tenho? Muitos acabam por ser retalhos e desperdícios que muitas das vezes faço doações para instituições, para que possam reutilizar e fazer acessórios, pulseiras, carteiras entre outras coisas.”

Mas essa decisão foi tomada também pelo sentimento de entre-ajuda que Roselyn sente. Associou-se a uma das campanhas da embaixada de São Tomé e Príncipe, onde é embaixadora de projectos. Foi convidada para ser a cara da campanha de solidariedade para ajudar as crianças doentes do país que viajam para Portugal, para tratamentos médicos, e que neste momento carecem de ajuda, porque a embaixada não consegue dar reposta a todos.

“Eu fiz o anúncio e o vídeo foi divulgado e ficamos à espera que as pessoas fizessem as doações e donativos e infelizmente nem toda a gente o pode fazer, por não ter condições como por terem também medo de doar o seu dinheiro.”

Além disso, quis fazer mais para que a campanha alcançasse um maior número de pessoas possível. Foi aí que criou pela primeira vez na sua vida – como a mesma garante – uma ação solidária. Uma vez que já tinha começado a produzir as máscaras, então tudo o que vendesse, uma parte reverteria para apoiar a campanha da embaixada.

Roselyn Silva - Tecidos para as máscaras / Foto:
Roselyn Silva – Tecidos para as máscaras / Foto: BANTUMEN

As roupas que faz são de valor acima da média, direcionado para um público médio-alto. Mas com as máscaras quis fazer diferente, quis tê-las disponíveis em vários padrões a um preço mais acessível, para que todos as pudessem comprar. “Na verdade, ninguém ganha muito dinheiro a vender as máscaras a um preço mais acessível, pelo menos no meu negócio uma vez que trabalho para um target médio alto. Os meus valores não são esses. Decidi fazer isso de coração e de boa fé, de poder dar trabalho às costureiras que se encontravam em casa e de ajudar os outros.”

A venda das máscaras tem superado as suas expectativas, não podia calcular que as pessoas ficassem tão maravilhadas com o trabalho em si e com os tecidos utilizados. Querendo ou não, para além de protegerem quem as usa, as máscaras estão a tornar-se um ícone da moda no meio desta pandemia. E isso tem-se notado nos números de encomendas que Roselyn Silva tem recebido. Houve até necessidade para contratar mais costureiras para dar vazão às encomendas.

Roselyn Silva / Foto: BANTUMEN
Roselyn Silva / Foto: BANTUMEN

“As pessoas não só estão a comprar por solidariedade mas, neste momento, por necessidade e acredito também que seja por vaidade (risos). Elas são giras, alegres e os padrões africanos estão super na moda e as pessoas usam porque gostam e querem ser diferentes”, explicou.

“Isto afectou-me, como também a quase todos os empresários em Portugal e no mundo. A mim afectou profissionalmente e pessoalmente quando comecei a ver as vendas a serem canceladas, assim como os trabalhos e as marcações. Numa época que é considerada alta – Primavera/Verão – onde há festas, muitos eventos a acontecer é quando os ateliês de moda trabalham muito. Quando vi a minha faturação a desaparecer, fiquei muito preocupada mas, graças a Deus e felizmente, tive essa ideia de génio (risos), de fazer máscaras solidárias que também estão a ajudar-me a ter trabalho no ateliê.”

As máscaras podem ser adquiridas através da sua página de Instagram. São de proteção individual, 100% algodão, laváveis e reutilizáveis. O modelo envelope tem três camadas de tecido e permitirá introduzir um filtro. A filtragem permite, pelo menos, que as gotículas expelidas quando se fala ou tussa, não atinjam os outros.

A sua parceria com a embaixada de São Tomé e Príncipe teve início em 2020, uma parceria que a mesma pretende manter. Encontra-se disponível sempre para apoiar as campanhas da embaixada e em prol de São Tomé e Príncipe. A venda das máscaras como o apoio que pode prestar a embaixada e ao seu país de nascença, deixam-na cada vez mais satisfeita por saber que está a apoiar iniciativas em prol do bem do outro e em tudo aquilo que pode agregar valor ao seu trabalho. Tendo em conta a situação que o mundo atravessa, o facto de ter trabalho e dar trabalho aos outros é muito importante para si.

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