Muito se tem falado ultimamente sobre o Covid Organics, uma bebida desenvolvida em Madagáscar, que pode, segundo pesquisadores da medicina tradicional do país, curar e ajudar a prevenir a doença da covid-19.

Mentes mais otimistas afirmam que, se realmente se confirmar, teremos a resposta do espírito livre africano ao neocolonialismo, que parece se renovar a partir da independência do continente da cura que o ocidente tanto se esfalfa para encontrar.

Esta bebida apelidada de “milagrosa”, produzida a partir da planta da artemísia – a fonte de um ingrediente usado no tratamento da malária – foi lançada com o nome Covid Organics.

Sob o impulso presidencial, diante das promessas da cloroquina e do uso da artemísia pela China contra o coronavírus, o Instituto Malgaxe de Pesquisa Aplicada (IMRA) e o Centro Nacional de Pesquisa em Farmacologia uniram forças para realizar estudos e estabelecer um protocolo de pesquisa sobre essa planta já conhecido pelas suas virtudes contra a malária.

O IMRA indica que aquele organismo tem vários laboratórios “dedicados à pesquisa médica e farmacêutica com foco em etnobotânica, farmacopeia tradicional, química, biologia e fabricação de medicamentos”, enfatizando que o Covid-Organics é “feito com base numa formulação real desenvolvida pela IMRA”.

Os testes para se provar a eficácia do tratamento apenas duraram um período de três semanas, o que suscitou algumas dúvidas de especialistas e de uma crítica do chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que afirmou “não haver atalhos” para encontrar uma mediação eficaz no combate ao coronavírus.

Com reputação nacional e internacional e com o status de centro de pesquisa regional da União Africana, este centro de pesquisa e treinamento médico e farmacêutico foi fundado em 1957, graças aos benefícios financeiros de um medicamento cicatrizante, Madécassol, que os seus fundadores Albert e Suzanne Rakoto Ratsimamanga extraíram da planta centella asiática.

No país, o presidente Rajoelina indica que o remédio será distribuído gratuitamente aos cidadãos mais vulneráveis e vendido a um valor simbólico aos restantes. As receitas servem para financiar pesquisas científicas do IMRA.

Durante uma sessão de videoconferência com os presidentes de Madagascar, Andry Rajoelina, e da Guiné Bissau, Umaro Sissoco Embalo, o presidente congolês Denis Sassou Nguesso decidiu importar a bebida para o seu país. E não foi o único, pelo menos 15 países africanos receberão o Covid-Organics, entre eles Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana, Guiné, Libéria, Mali, Togo, Níger, Serra Leoa, Gâmbia, Nigéria, Cabo Verde, Senegal e Guiné-Bissau. O Presidente Umaro Sissoco Embalo, da Guiné-Bissau, é o responsável pela distribuição da Covid-Organics na área de CEDEAO.

Em resposta ao lançamento do Covid-Organics, a OMS disse, em comunicado enviado às redações dos principais jornais do mundo, que aquela organização global não recomenda “automedicação com nenhum medicamento, como prevenção ou cura do covid-19”, relembrado que testes internacionais estão em andamento para encontrar um tratamento eficaz.

Em março, o Centro Nacional de Saúde Integrativa e Complementar dos EUA alertou contra supostos remédios para o coronavírus, incluindo terapias à base de plantas e chás – dizendo que a melhor maneira de prevenir a infecção era evitar a exposição ao vírus. Os Estados Unidos também estão na corrida contra o tempo para desenvolver uma cura contra a doença.

Há uma grande onda de insatisfação pela forma como a OMS tem gerido esta crise desde o seu despoletar nas cidades chinesas. Líderes mundiais, como a chanceler alemã Angela Merkel, já se pronunciaram pedindo uma investigação independente para se apurar responsabilidades sobre a propagação e a falta de informação que motivou o contágio mundial. O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, também se pronunciou alegando falta de transparência e uma probabilidade grande da organização ter se deixado corromper pelo partido comunista da China, ao esconder e informar de forma errada sobre o status daquela doença no maior país do oriente, citando o tweet da OMS que afirmava que não havia possibilidade da transmissão do vírus an nível de outros países, espelhando uma desinformação gritante. Nesta senda, Donald Trump travou a contribuição financeira dos EUA à OMS, bloqueando assim milhões de dólares destinados àquela organização.

Outro caso gritante recheado de contradição foi o da Suécia onde – apesar de um estado de confinamento decretado em quase todos os países na Europa -, mesmo com casos confirmados, foi dos países que se recusou a entrar em estado de emergência. O caso valeu ao governo muitas críticas vinda do alto escalão da OMS. Passado um mês, a Suécia de forma inusitada, entra para a lista dos países com exemplos a serem seguidos segundo a OMS, o que transcreve-se como uma contradição vinda daquela organização. Atualmente, o país regista apenas cerca e 26 mil casos de contágio, e 2.854 mortes, que coloca o país na frente em relação aos restantes países nórdicos.

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