Foi no dia de São Valentim de 2019 que o jovem escritor angolano Elizandro Joel se apresentou ao mundo com Realidades Camufladas. Neste artigo, descobrimos um pouco mais sobre o autor independente, apaixonado por histórias de ficção.

Decidido a disputar espaço no mercado global de literatura ficcional de forma independente, Joel parece estar a dar os primeiros passos na direção certa. O segundo livro da saga Realidades Camufladas já entrou em produção e Elizandro tem ainda o ambicioso plano de traduzir o livro inglês e uma versão em português do Brasil.

Um dos seus principais objetivos, principalmente nestes tempos de pandemia, em que todos estão confinados, é proporcionar ao seu público um novo trabalho criativo, apostando sempre no livro tradicional e nos e-Books.

Elizandro Joel lançou sua primeira obra com os olhos no mercado lusófono de literatura ficcionária; o livro foi originalmente escrito em Português no primeiro semestre de 2019 e desde então está disponível em plataformas digitais e em formato físico, precisando fazer a devida encomenda.

Em Realidades Camufladas Elizandro escreve de uma maneira inusitada para poder ajudar os jovens angolanos a encararem o mundo de um forma diferente e a lidarem com a globalização. A afirmação da mulher é o principal tema do romance, que aborda os dramas de uma personagem que promete influenciar o mundo.

Um ano depois, voltámos a conversar com Elizandro sobre o feedback que tem recebido do público e como está a trabalhar para levar uma das suas obras à Netflix, um dos seus maiores objetivos.

Que feedback tiveste do público depois do lançamento do teu livro?

O feedback dos leitores foi e tem sido surpreendente até ao momento. Espero que continue e perdure. Recebo mensagens diárias de leitores fascinados que encontraram-se na estória, que sentem-se a viver o conteúdo espelhado no romance e, creio que não existe satisfação maior para um autor. O objetivo era ver a minha obra a ser motivo de jovens enxergarem um novo mundo na literatura.

Qual foi o maior feito realizado com esta primeira obra?

A maior parte das cópias impressas foram vendidas no evento do lançamento literário, onde no final realizei a venda e a sessão de autógrafos da obra. Num período de 54 minutos, tínhamos mais de 80 cópias vendidas por autografar no final do evento. Já presenciei vários lançamentos, por isso não conseguia acreditar, apesar de saber que colheria os frutos do meu trabalho.

Onde estão distribuídos os leitores que compram o livro online?

Pessoas de sítios como Brasil, Portugal, África do Sul e Hungria fizeram a aquisição da obra em formato digital. Se me permitem um desabafo, é preciso que o autor tenha coragem para manter a venda digital, mas é necessário, pois os consumidores devem entender que o artista sobrevive da sua arte. A leitura digital é o futuro! 

Já fechaste com alguma editora para a tradução do I Volume? Se não, pretendes fazê-lo?

A versão inglesa do Realidades Camufladas surgirá por via de uma publicação independente. A tradução esteve a cargo de dois freelancers e não, ainda não fechei com uma editora. Por enquanto, muita coisa está em aberto, tanto posso fazê-lo como não, a única certeza é que sairá em julho nos novos lançamentos da Amazon Goodreads.

5- Para o II Volume, e-Book ou também formato físico?

O volume II será lançado em ambos os formatos. Tenho a plena certeza de que os leitores não esperavam a continuação da estória, que virá composta por mistérios, drama e ação de tirar o fôlego do leitor. Acho que receberei muitas cobranças depois da entrevista.

Como é que estás a trilhar o caminho até à Netflix (fazendo referência ao que nos disseste no ano passado)?

Sinto que estou no bom caminho. Tenho um forte pressentimento de que verei esta trilogia nas telas. Sou amante da sétima arte e tenho visto que tanto a Netflix como a HBO exploram pouco os enredos desenvolvidos em África e sinto que trago nesta trilogia um bom motivo para que o façam. Temos de sonhar alto, somos do tamanho dos nossos sonhos e revolucionar a literatura angolana e a ficção realística no mundo é dos meus maiores propósitos na escrita.

Se pudesses fazer alguma coisa para ajudar a área da literatura em Angola, o que farias?

Exponenciar o crescimento da literatura angolana é dos meus principais objetivos. Se pudesse fazer algo mais para estimular o seu crescimento, investiria em oficinas de escritas em todas as províncias, festivais, feiras do livro e outros eventos de grande calibre como a Flip, no Brasil, ou o Festival de Óbidos, em Portugal. Estou convicto que os demais sítios do país possuem futuros autores de sucesso, leitores vorazes e outros grupos que apenas precisam de estímulo para aprender a cultivar o interesse pela literatura. Também é preciso voltar a investir na manutenção e na criação de novas bibliotecas públicas, pois as que tenho visitado estão em estado deplorável e desejosas por livros. As comunidades precisam de livros.

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