Várias publicações nas redes sociais amplamente difundidas afirmam que o presidente malgaxe Andry Rajoelina pediu aos países africanos que deixem a OMS. Se Rajoelina criticou muito a organização da ONU para a Saúde, que não reconhece o Covid-Organics, o chá de ervas malgaxe com alegadas propriedades curativas e de prevenção contra o novo coronavírus, não há vestígios de tais declarações na imprensa ou nas redes sociais. Contatada pela AFP, a presidência de Madagascar negou essas observações.

“URGENTE! O presidente malgaxe, Andry Rajoelina, pede a todos os países africanos que deixem a OMS por causa da má fé dos europeus para com os africanos”. Este texto, juntamente com a fotografia oficial de Rajoelina, foi particularmente viral por alguns dias nas redes sociais.

Uma publicação, de 12 de maio, numa página de Facebook chamada Qactus foi partilhada mais de 15.000 vezes. Vários outros posts acumulam centenas, até milhares, de partilhas.

Depois do lançamento do Covid-Organics, uma bebida com base na artemísia, planta amplamente usada no continente africano para tratar a malária, Andry Rajoelina viu a sua popularidade crescer exponencialmente.

Contudo, a OMS alertou repetidamente contra o uso da bebida, que não foi objeto de nenhum ensaio clínico certificado, causando indignação a Rajoelina.

“Os europeus criaram organizações para que os africanos sejam eternamente dependentes da Europa, afirmo, a África encontrou uma droga contra o coronavírus, mas os europeus pensam que têm o monopólio da inteligência que tentam recusar o nosso. medicina, sobre isso peço a todos os países africanos que deixem passivamente todas as organizações mundiais de europeus ”, lemos numa publicação falsa atribuída a Rajoelina cheia de erros ortográficos.

Contactada pela AFP a 14 de maio, a presidência malgaxe negou categoricamente que o chefe de Estado fez essas observações.

“A Presidência de Madagascar nega formalmente todas essas alegações. Desde o lançamento do remédio Covid-Organics, muitas palavras foram falsamente atribuídas ao presidente Andry Rajoelina. Condenamos firmemente essas citações falsas”, disse o diretor do gabinete da presidência, Lova Ranoramoro.

A 11 de maio, um dia antes da publicação desse post, o presidente de Madagascar concedeu uma entrevista à mídia francesa France 24 e RFI, na qual acusou a comunidade internacional e a OMS de se oporem a esta bebida por causa da sua origem africana, mas em momento algum pediu a um boicote à organização.

“Se um país europeu descobrisse esse remédio, haveria tantas dúvidas? Acho que não”, disse.e “O problema é que ele vem de África. E não podemos aceitar que um país como Madagascar, o 163.º país mais pobre do mundo, tenha encontrado a fórmula para ‘salvar o mundo'”.

“Nesta batalha, querem nos desacelerar. Queremos nos desencorajar e até impedir que avancemos”, disse conclui o presidente de Madagáscar.

Entretanto, nesta quarta-feira, Rajoelina fez um post na sua conta oficial de Instagram para revelar que assinou um acordo de confidencialidade com o líder da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, sobre a fórmula do Covid-Organics, e que o organismo vai apoiar o processo de observações clínicas que vão ser feitos em todo o continente.

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Excellent échange avec ⁣ @drtedros qui salue les efforts de #Madagascar dans sa lutte contre le #Covid19. ⁣ @who signera une clause de confidentialité sur la formulation du #CovidOrganics et appuyera le processus d’observations cliniques qui s’étendra sur tout le continent africain.⁣ ——–⁣ Nahafapo ny resaka nifanaovana tamin'i @drtedros izay mankasitraka ny ezak'i Madagasikara amin'ny ady ataontsika amin'ny coronavirus. ⁣ Ny @who dia hanao sonia fifanarahana hitazomana ny tsiambaratelon'ireo singa nanamboarana ny tambavy Covid Organics ary hanohana amin'ny fanaovana ny fanandramana azy izay ho itarina manerana ny kaontinanta Afrikanina. ⁣ ——–⁣ Successful exchange with ⁣ @DrTedros who commends #Madagascar’s efforts in the fight against #Covid19.⁣ @WHO will sign a confidentiality clause on the formulation of the #CovidOrganics and will support the clinical observations process in #Africa.⁣

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