Ricilene Lizandra Ginga Ambriz é o nome da jovem luandense que largou a engenharia civil para se dedicar inteiramente à maquilhagem e caracterização profissional. Além de maquilhadora, Ricilene ministra também formações, workshops e masterclass.

Vocação e profissão são duas palavras que, apesar de a maioria pensar que estão ligadas, são, muitas vezes, fonte de conflito pessoal e emocional. Nem sempre é fácil escolher entre o que faz parte da sua essência e o que poderá, eventualmente, ser melhor para o seu futuro profissionalmente.

Foi o que aconteceu com Ricilene. Sempre se sentiu apaixonada pelo mundo das artes, tendo ingressado na área das artes visuais no secundário. Arquitectura seria o passo seguinte mas, “na altura, não tinha muita empregabilidade. Segui o conselho do meu pai e segui Engenharia Civil. O meu pai é engenheiro civil e parecia ser o melhor para mim, na altura”. Contudo, com o passar do tempo, a jovem percebeu que o talento falaria sempre mais alto que a razão, e acabou por ceder.

Quando surgiu a possibilidade de Ricilene mudar-se para a área da maquilhagem, apesar dos seus pais não terem recebido mal a boa nova, também “não ficaram contentes”. Afinal , é mais um “hobbie e não um trabalho do qual eu pudesse retirar um ordenado”, explicou-nos.

Ricilene agarrou-se à sua vontade e numa viagem de férias a Luanda, surgiu a ideia de se profissionalizar na sua terra natal.

“Fiz publicidade no meu Facebook que fazia maquilhagens e dava workshops de auto maquilhagem. Para surpresa minha, os workshops, que eram individuais, tiveram muita procura. Então, percebi que seria uma oportunidade para me lançar. A procura era tanta que pude abrir uma Escola de Maquilhagem em menos de um mês. Em menos de um ano formei mais de 100 mulheres.”

De volta a Portugal, a realidade do mercado é outra. “Não é fácil prosperar em Portugal. Os serviços de maquilhagem não são tão procurados e os valores aceites no mercado são baixos. Em Angola, a procura por serviços de beleza é muito maior que em Portugal. E quando construímos um portefólio com várias clientes, vários trabalhos é mais fácil conseguir mais trabalho. Tendo arrancado em Angola, já cheguei cá com um portfólio e provas dadas de credibilidade nesta profissão. Por isso, acabou por ser mais fácil prosperar aqui, por esse motivo.”

Sobre o fato de, hoje em dia, haver várias pessoas a criarem tutoriais de maquilhagem nas redes sociais, Ricilene diz que há coisas que só o profissional sabe fazer. “Por mais talento que tenhamos, há coisas que só podemos adquirir quando nos profissionalizamos. Há pequenas coisas que fazem toda a diferença. Não falo da técnica de maquilhar mas da maneira de se posicionar no mercado, de lidar com clientes. A higiene e segurança, por exemplo, são aspetos importantes que a maioria dos maquilhadores autodidatas não revela preocupação. A higiene e segurança no trabalho não são coisas que se aprendam em tutoriais. Nós trabalhos com pessoas e estamos a lidar diretamente com a saúde delas, é preciso ter muitas precauções quando se faz uma maquilhagem. Não basta apenas saber pegar nos pincéis.”

Em nome próprio e em Portugal, Ricilene providencia cursos de maquilhagem e de auto maquilhagem, realizando workshops e masterclass de inúmeros assuntos ligados a esse universo.

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Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".