Treze garrafas de plástico dão para produzir uma camisola da seleção cabo-verdiana de futebol, cujo novo equipamento tem 75% desse resíduo retirado dos oceanos, praias e zonas costeiras, descreveu à agência Lusa fonte oficial.

Segundo Paulo Santos, da direcção da comunicação da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), depois de muitos anos sem uma linha em relação aos equipamentos da seleção, a FCF decidiu reformular a marca, desde a imagem corporativa e, por conseguinte, os “Tubarões Azuis”, nome pelo qual são conhecidas as selecções nacionais.

E, nesta lógica, disse que surgiu a ideia para a camisola principal, que tem os motivos ligados ao mar, essa particularidade de usar a Parley, uma técnica que a empresa fornecedora desenvolveu para vários artigos.

“Sendo Cabo Verde um país oceânico, de ilhas, sendo o símbolo da federação, decidimos conjugar essas várias nuances de forma a podermos ter um produto interessante, amigo do ambiente”, salientou Paulo Santos.

Apresentado na segunda edição da semana dos oceanos em Cabo Verde, que aconteceu de 25 a 29 de novembro de 2019, o responsável federativo sublinhou que foi uma forma de chamar atenção para a questão do ambiente.

Para confecionar uma camisola, Paulo Santos disse que são precisas 13 garrafas de plástico e 75% do equipamento é feito com esse material retirado dos oceanos, através do centro mundial de recolha e tratamento da marca alemã usada pela seleção, a adidas.

“Infelizmente, ainda não são retirados em Cabo Verde, mas no futuro, desde que haja uma política ambiental para a recolha destes produtos, podemos unir com o nosso fornecedor para a possibilidade de canalizar esses resíduos para o seu centro de tratamento”, perspectivou Santos, nas declarações à Lusa, no dia em que os novos equipamentos foram lançados e as réplicas começaram a ser vendidos online.

O membro da direção de comunicação da FCF avançou à Lusa que parte das vendas online vão ser canalizadas para um projeto de apoio às antigas glórias do futebol cabo-verdiano, que estão a passar por momentos de dificuldades.

E pensando na questão de género, a mesma fonte disse que pela primeira vez o equipamento tem um formato feminino, esperando que isso também seja motivo de orgulho e de aproximação da seleção aos adeptos cabo-verdianos, no país e na diáspora.

O responsável garantiu que, posteriormente, os novos equipamentos vão estar à venda em lojas, mas apenas nos quatro aeroportos internacionais de Cabo Verde, na Praia, no Sal, em São Vicente e na Boa Vista.

Questionado sobre a questão do calor, tendo em conta o material utilizado, Paulo Santos explicou que tudo isso foi acautelado com a tecnologia, que usa plástico reciclado, transformado em fio para a confeção de camisolas e sapatos, cujo modelo já é utilizado por equipas como Real Madrid (Espanha) e Bayern Munique (Alemanha).

Devido à pandemia da covid-19, os jogos da seleção, que deveriam acontecer em Março, foram adiados, mas Paulo Santos garantiu que os novos equipamentos já vão ser utilizados assim que a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a FIFA anunciem novas datas.

No apuramento para o Campeonato de África das Nações (CAN 2021), Cabo Verde está no terceiro lugar do seu grupo, com dois pontos, menos dois do que Camarões e Moçambique, e mais dois do que Ruanda.

Em outubro, a seleção comandada por Pedro Leitão Brito, o Bubista, deveria iniciar a qualificação para o mundial de 2022, no Qatar, no grupo C africano com Nigéria, República Centro Africana e Libéria.

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