Em Seattle, Washington, um bairro auto-proclamou-se como uma “área autónoma”. Depois da esquadra de polícia ter sido fechada temporariamente, devido a alguns incidentes violentos à margem das manifestações contra o racismo, os moradores cercaram o bairro.

“Este espaço é agora propriedade do povo Seattle” é o que se pode ler numa faixa preta gigante com letras vermelhas colocada na declarada “Zona Autónoma do Capitol Hill”.

No Twitter, a “guerra” foi declarada entre as autoridades locais e o presidente Trump, que os acusa de terem abandonado a cidade, dando assim espaço aos “terríveis anarquistas” e “terroristas domésticos”.

O Departamento de Polícia de Seattle “abandonou” a Delegacia do Leste e manifestantes, contra a morte de George Floyd e a brutalidade policial, tomaram de assalto a zona, conhecida como CHAZ, e mudaram a placa do prédio de Departamento da Polícia de Seattle para “Departamento de Pessoas de Seattle”.

Desde então, centenas de pessoas reúnem-se naquela zona, onde a atmosfera é dominada principalmente por protestos pacíficos, com discursos, distribuição de comida de graça, música ao vivo, um jardim comunitário e exibições de filmes noturnos.

Na noite de quarta-feira, a atmosfera era “como uma festa de quarteirão”, disse Omari Salisbury, um morador que tem vestido a pele de jornalista para documentar a situação insólita, à NBC News na manhã de quinta-feira.

Salisbury disse que muitas das pessoas envolvidas na “ocupação territorial” vivem e trabalham na comunidade.

A nova área autónoma teve como inspiração o manual da célula europeia Antifa (termo abreviado de antifascismo, que nomeia um movimento político que se dedica a combater o fascismo pelo mundo), que estabeleceram há décadas áreas de combate ao fascismo em diversas cidades europeias.

A tática de declarar uma área “autónoma”, sem a intervenção da polícia e do governo, é relativamente nova para extremistas de esquerda nos Estados Unidos, mas tem uma história profunda na Europa.

Enquanto o movimento original de Antifa era uma ala paramilitar do Partido Comunista Alemão na década de 1930, o atual Antifa começou na “cena autónoma” da Alemanha Ocidental, na década de 1980, e andou de mãos dadas com anarquistas que ocuparam vários edifícios, muitos dos quais permanecem ocupados, com leis nacionais não aplicadas, até hoje.

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