O tsunami de indignação desencadeado pelo assassinato de George Floyd já derrubou algumas das figuras mais poderosas da media nos EUA, incluindo o editor de opinião do New York Times e os principais editores do Bon Appétit, Philadelphia Inquirer e Refinery 29.

Agora, há rumores crescentes de que os protestos poderão em breve reivindicar a queda de uma figura ainda mais poderosa – a lendária editora-chefe da Vogue, Anna Wintour.

Nas redes sociais, vários funcionários da revista vieram a público denunciar as condições e atitudes racistas e descriminatórias que têm vivido no excercício das suas funções.

Shelby Christie foi recrutada como Gestora de Comunicação na Vogue em 2016. Num tweet, Christie explica que o tempo em que trabalhou para a revista foi “o mais desafiador e miserável” da sua carreira, acrescentando que o assédio moral de colegas brancos era cansativo.
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A gestora relembrou o dia em que, durante um lançamento, “um executivo branco da equipa de negócios digitais, vestido com um fato de galinha, com correntes de ouro e calças largas”, numa óbvia chacota aos estereótipos colados aos afro-americanos. “Os Recursos Humanos foram alertados, mas nada foi feito”, afirmou.
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Christie escreveu ainda que os funcionários negros na Condé Nast são “superqualificados, mal pagos e sobrecarregados de trabalho”. Ela (Anna Wintour) recebeu territórios adicionais, abrangendo a costa oeste da Itália, podendo estender os [nossos] dias de trabalho para 20 horas [devido à diferença horária entre os dois países]. O nepotismo também foi um problema. Na equipa de redes sociais da Vogue, dois membros negros eram graduados da Ivy League, enquanto os seus colegas brancos não tinham “nenhuma experiência relevante anterior”; denuncia Shelby Ivey Christie.

Nos últimos dias, surgiram rumores de que Wintour, 70 anos e que preside a Bíblia da moda norte-americana há já 32 anos, planeia anunciar a sua demissão.

O Los Angeles Magazine avança que o seu substituto na Vogue será Edward Enninful, o editor negro de 48 anos, que atualmente administra a Vogue britânica.

Contudo, Wintour poderá manter sua posição como diretora artística da Condé Nast, posição que já ocupa desde 2013.

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