Nissah Barbosa é “da Baddest Kriola“, nascida na Ribeira Grande, Cabo Verde. O seu flow é viciante e a sua música promete marcar a diferença daquilo que são as novas vibes sonoras vindas do arquipélago de sodade. Na receita do seu sucesso estão ingredientes de luxo da fundação da cultura musical cabo-verdiana, como o Finason, o Batuku e o Kola San Jon. Há praticamente um ano, assinou contrato com a Sony Music Portugal, no que promete ser uma viragem para a internacionalização da sua carreira. Trocámos algumas palavras com a rapper, que nos explicou como enfrentou o confinamento, gravou um videoclipe com o seu telemóvel com direcção artística de três países diferentes e a história por trás de “Heartbeat”, o seu último single.

É a pergunta da moda. Como foi o teu confinamento? Decidiste dar largas à imaginação ou foi uma fase mais de introspeção?

O confinamento por um lado foi bom, levou-me a momentos profundos de reflexão, mobilização e preocupação com a coletividade. Reforcei os laços, cuidei mais da minha saúde e do meu emocional. Por outro lado, aproveitei o tempo para aprimorar as minhas capacidades, tendo aulas de dança online, escrevendo novas músicas e gravando em casa.

Inclusive, gravaste o vídeo de “Heartbeat” como apoio da tua equipa à distância.

Em relação a gravação do videoclipe entre três países diferentes, foi um grande desafio, pois além de estar a gravar o vídeo, tinha os diretores em videoconferência ao mesmo tempo, onde um estava no Brasil, outro na Suíça e eu em Portugal. O vídeo foi gravado em casa durante a quarentena maioritariamente no telefone, mas o final o resultado foi positivo graças à dedicação e paciência de toda a equipa.

A história por trás da faixa “Heartbeat” é pessoal?

Sim, é um tema com que me identifico muito porque já o vivi. Aquela paixão, o frio na barriga, a vontade de estar perto da pessoa amada… e acredito que todos vão passar por isso numa determinada altura da vida. Por isso, refleti essa história na minha música.

De quem é a produção e pós produção da faixa?

Da Urban Cats em parceria com Planet V Music.

Este é o primeiro single com o selo da Sony. Quando começou este “namoro” e o que vem além do single “Heartbeat”?

“Heartbeat” é o meu primeiro single pela Sony Music. O namoro começou no ano passado, através minha manager, Jô Queiroz que apresentou o nosso projeto à Sony. Eles acabaram por interessar-se e estamos aqui agora juntos em família. Além de “Heartbeat” estão a vir por aí muitos sons frutos de grandes encontros e boas vibes!

É o início de uma carreira internacional ou ainda tens muito por explorar em Cabo verde?

Acredito sim que seja o início da minha carreira internacional, mas não digo que ainda não há o que explorar em Cabo Verde. Sinto que a minha missão lá ainda não está terminada e terá muitas histórias para contar.

Atuaste no festival #NaSofá. Foi o primeiro? Como é atuar para uma audiência virtual?

Sim, foi o meu primeiro concerto virtual. Em relação à sensação, é diferente, houve o nervosismo, o medo de falhar, mas não deixou de ser uma experiência calorosa e emocionante.

O rap kriolo, tanto o feito em Portugal como em Cabo Verde, já tem grandes nomes no mercado em Portugal. Sentes que vais ter uma aceitação fácil neste mercado?

Para ser sincera, não acho que seja fácil, porque na vida nada é fácil, mas isso não me assusta. Nada se consegue sem esforço. Vou dar tudo de mim para concretizar os meus objetivos e é isso que pretendo, conquistar o meu público e o meu espaço e espero conseguir.

Como é que o Finason, Batuku e Kola San Jon formam a base da tua música e de que forma estes géneros vão fazer a diferença na tua música?

A minha formação de base estrutural foi inspirada nesses ritmos. Desde a minha infância, vim aspirando essa cultura forte do meu país e acredito que, através dessas influências, vão sentir sim a presença desses ritmos nas minhas músicas.

Qual a importância de dar a conhecer história e cultura de Cabo Verde à nova geração?

Quando nos referimos às raízes culturais, estamos a falar da sua origem, do seu principio, então, é fundamental preservá-la e passá-la de geração em geração. Para mim, é de extrema importância os jovens conhecerem as suas origens para assim darem continuidade mantendo viva a nossa história.

Porque sentiste a necessidade de ter voz em relação ao papel das mulheres na música urbana?

A mulher no mundo do rap ainda é um tabu por quebrar. Eu, pessoalmente, identifico-me com essa causa porque eu mesma senti e vivi uma certa dificuldade quando decidi entrar nesse mundo. Fui quebrando os paradigmas aos poucos, mostrando sim que a mulher é corajosa e forte, passando todos os desafios, obstáculos, provando cada vez mais com o meu trabalho e incentivando outras mulheres que sempre tiveram esse mesmo sonho, e que não correram atrás por causa do que a sociedade impõe. Há espaço para todas sim e elas conseguem conquistar tudo o que quiserem.

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