MAD 283 é um dos membros do grupo que se diz ser um dos impulsionadores do drill em Portugal, o 283 Gang. Com novo single nas ruas, “Wooo”, trocámos algumas palavras com o artista também sobre a sua presença nos eventos anti-racismo que têm acontecido em Lisboa.

Não é necessário pensar muito no porquê do epíteto Mad. Em português, louco ou furioso são efetivamente os estados emocionais que melhor refletem e definem o que o rapper cospe para o microfone.

“Wooo”, o seu novo single, tem umas linhas que fariam parte do último projeto do grupo, Local Trapper, o que acabou por não acontecer porque os seus companheiros de estrada acharam o “verso muito violento”.

“Wooo”, apesar de ser cantada em criolo, absorve também um bocado daquilo que era a linguagem de Pop Smoke, falecido em fevereiro deste ano e uma das inspirações de MAD.

MAD foi um dos artistas que marcou presença na última manifestação anti-racista em Lisboa, no sábado 6 de junho. “A nova geração está mais ativa para estes movimentos e temos de fazer sentir a nossa voz”, explicou-nos sobre a sua adesão à marcha pacífica para expor o racismo e a violência policial em Portugal.

“Não é por ter ido àq manifestação que a situação irá mudar”, mas o artista afirma que “manifestação é um ponto” e “são esses pontos que vão levar à mudança”.

Para MAD, a falta de qualificação e abuso de poder são um dos fatores que contribuem para a “violência policial”, que “existe aqui e em todo lado”.

Apesar de muitos olharem para o drill como um estilo que glorifica a violência, MAD tem uma opinião própria sobre o assunto: “Os putos começaram a fazer drill por nós” e não por um motivo ligado ao conteúdo? além de que relatamos só, não estamos a venerar”.

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Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".