As produtoras independentes Kriolscope, Anatomy of Restlessness Films e Trayne Adjei Studios formaram um colectivo e pretendem lançar projetos conjuntos de cooperação e co-produção internacional de televisão, concretizados sob a marca Baobab Film Collective.

Baobab Film Collective resulta da parceria da Kriolscope, dos cabo-verdianos Pedro Soulé e Nuno Miranda,  Anatomy of Restlessness Films, sedeada no Canadá e propriedade do cineasta cabo-verdiano Pedro José-Marcellino e Trayne Adjei Studios do ganês Lawrence Adjei-Okyere.

“As três produtoras, em franco crescimento nos seus respectivos mercados, unem-se com o intuito de ampliar a sua pegada coletiva no circuito internacional de produção de conteúdos dramáticos, no segmento de mercado de televisão premium”, asseguram em nota de imprensa enviada à redacção da Inforpress.

Este projeto, segundo a mesma fonte, tem ainda a intenção declarada de cooperar além-fronteiras no espaço regional da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), no sentido de apoiar a criação de um `hub´ de serviços audiovisuais na África Ocidental, centrado no eixo Cabo Verde – Dakar – Accra, e apoiado logisticamente pelos hubs de produção internacional nas Ilhas Canárias e em Marrocos.

“Esta estratégia passa pela produção total ou parcial em Cabo Verde, no Senegal e no Gana de projectos televisivos com parceiros e financiadores internacionais e sujeitos a tratados de co-produção oficiais”, asseguram as produtoras, adiantando que a nova lei do cinema em Cabo Verde “abre as portas, pela primeira vez, a estes desenvolvimentos com um enquadramento legal e fiscal”.

Esta parceria, acrescenbtam, terá um enfoque nas estórias com consciência social, “aliando o entretenimento ao impacto sociopolítico e reflectindo nos grandes temas dos nossos tempos, em particular nas estórias e personagens africanos, contadas desde uma perspectiva africana e produzidas com audiências internacionais em mente”.

O coletivo arranca desde já com três aquisições de “projetos fortes” para o seu portfólio, que avançarão para o mercado internacional nos próximos meses: “The Leviathan”, uma série limitada de ficção especulativa, escrita e criada por Nuno Miranda, da Kriolscope, “Heirloom”, uma série de Rustic SciFi/thriller Afrofuturista, do inglês Oliver Brackenbury, desenvolvida por Pedro José-Marcellino, e escrita por Brackenbury e pelo ganês Gbontwi Anyetei. Há ainda “Kwame”, uma série limitada escrita e criada por Gbontwi Anyetei, sobre os anos formativos do líder da independência do Gana, Kwame Nkrumah.

“Estes projetos vêm na senda dos temas centrais das três produtoras que coincidem na afirmação de estórias, gramáticas visuais e estilos narrativos africanos, vistos pelos produtores Pedro Soulé, Pedro José-Marcellino e Lawrence Adjei como merecedoras de validez no mercado global, em pé de igualdade com as suas congéneres do Norte”.

O Baobab Film Collective pretende ainda colmatar alguns défices de recursos humanos no mercado local através da facilitação e promoção de laboratórios e workshops de treino profissional, destinado ao trabalho em ‘sets’ internacionais, através da cooperação com os mercados das Canárias e de Dakar.

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