A Organização Mundial da Saúde, na pessoa do seu DIRETOR-GERAL Tedros Adhanom Ghebreyesus, deixou saber esta quinta-feira que o números de casos por infeção pelo Novo Corona Vírus não está a diminuir (o que já todos sabíamos), não há uma desaceleração nos registos e o que temos, é precisamente o contrário, são 12 milhões de infectados e mais de 500 mil mortos no mundo.

Não, de todo a pandemia em Portugal não está a ser gerida da melhor forma! Especialmente em Lisboa.

As 19 freguesias na área de Lisboa e Vale do Tejo que permanecem em estado de calamidade (desde o passado dia 1), continuam a enfrentar exatamente as mesmas dificuldades de distanciamento social que enfrentavam anteriormente aliás, desde o fim do estado de emergência em todo o território português.

As condições de utilização das redes de transportes que servem as zonas periféricas da grande Lisboa, deixam não muito, mas tudo a desejar. Não vos consigo falar da realidade particular de cada uma dessas 19 freguesias (vão sendo noticiados nos orgãos de comunicação social os casos mais extremos) mas, posso falar daquela que é a minha realidade, uma vez que pertenço à União de Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação, uma das 19 freguesias visadas no estado de calamidade que está “sujeita” a medidas de proteção e de comportamentos que visam travar o aumento dos contágios.

Quanto ao dever cívico de recolhimento e do comércio encerrar, obrigatoriamente ás 20h, nem vou falar, são de fácil percepção, ainda assim, na Apelação, não deixam de haver ajuntamentos com mais de dez pessoas e ainda que recomendado, não são utilizadas máscaras de proteção individual nos espaços públicos circundantes da Freguesia. 

Sim, ainda há muito trabalho a ser feito no que diz respeito ao comportamento de cada um mas, vamos ao que não é impossível contornar e que não depende da ação individual que é precisamente a utilização dos transportes públicos.

É a Rodoviária de Lisboa que serve a freguesia desde sempre e o seu serviço é deplorável, há anos!

Não é de agora nem passou a ser assim com a pandemia. Será que é porque serve uma área com carências sócio-económicas, será que é porque grande parte da população que compõe a freguesia é constituída por emigrantes? Estas e outras questões são , no mínimo, legítimas de serem levantadas.

A Rodoviária de Lisboa desde sempre foi afetada pelo vírus da péssima qualidade dos seus autocarros ( mal higienizados, com poucos lugares, ar condicionado sempre avariado ou a funcionar de acordo com a necessidade contrária, portas que funcionam mal, motores que deixam de trabalhar, cadeiras com assentos descolados, baratas no interior das carreiras e a lista podia continuar mas acho que assim já é possível perceber como são más as condições físicas deste serviço). Os horários são afixados e colocados na página da Rodoviária de Lisboa mas, são mais do que frequentes os atrasos e até a falha dos autocarros. Todos os dias são uma incógnita em relação a este ponto e muitos desses dias são uma autêntica crise de nervos por parte dos utentes porque os atrasos repetem-.se e repetem-se. Em situações de pandemia, este fator só se agrava pois, se falha uma carreira, a seguinte vai levar mais passageiros do que era suposto e assim sucessivamente.

A acrescer a este facto, muitas das vezes, estes atrasos acontecem em horário de ponta. Meus caros, basta pesquisarem na Internet que vão encontrar vídeos e reportagens sobre a realidade que vos estou a descrever.  sim, esta realidade já veio a público várias vezes mas sem sucesso. Anunciam medidas mas nada acontece, nada melhora. É uma vergonha que tenhamos de nos sujeitar a entrar num autocarro onde nos é completamente impossível guardar distância se segurança dos restantes passageiros. Vamos uns em cima dos outros e rezamos para que não seja aquela a viagem que nos vai infectar. Precisamos, como a maioria dos cidadãos, de trabalhar para ter dinheiro para pôr comida na mesa e fazer face às necessidades básicas de subsistência do dia a dia.

80% dos utilizadores da Rodoviária de Lisboa (não são dados oficiais), fazem-no por questões profissionais, é uma necessidade (é que, fomos atirados, segregados na periferia, não, não dá para usarmos uma bicicleta ou ir para os empregos a pé e ser amigos do ambiente porque os nossos postos de trabalho ficam a uma grande distância das nossas áreas de residência, estão localizados no centro da cidade, onde tudo acontece e se decide!

Os que decidem sobre as nossas vidas, mais do que elaborarem medidas, devem lembrar-se de as pôr em prática. Enviarem todos os dias um carro de patrulha da PSP para garantir que o comércio encerra às 20h, não chega. Essa é só uma aresta das várias que precisam ser limadas, desde questões de saneamento às questões de habitação e dos transportes.