MADMARCU$ é Marcos David, angolano, um rapaz tímido, misterioso e bastante introspetivo, porém, com um humor contagiante, que escolheu a música para expressar o que sente e os seus pensamentos.

MARCU$ entrou para o mundo da música há três anos, numa fase mais avançada e que carregava autoconhecimento. A sua primeira experiência musical aconteceu em 2010/11, quando teve o prazer de conhecer amigos que ainda fazem parte do seu meio. Na altura, “não levava música a sério. Era só um hobby”, confessou-nos.

O artista diz que a música “é mais que entretenimento”. O objetivo é partilhar as “experiências de vida, e histórias algumas vezes criadas por mim, para que dessa forma o público se possa relacionar comigo, porque falo de coisas da vida, do dia a dia”.

Na qualidade de músico, o artista acha que acaba por “desempenhar um papel de educador social, especialmente porque os consumidores de rap muitas vezes rondam idades mais tenras”, com a intenção de influenciá-los diretamente.

Recentemente, o artista apresentou ao público o seu primeiro trabalho a solo, intitulado Sky, que é constituído por oito faixas e conta com as participações vocais de SleepyThePrince e KBK.

O título SKY é uma brincadeira do facto de Marcu$ ter sempre sido “aquele puto que vivia com a cabeça na lua, sempre distraído” e por ser “fascinado com a imensidão do céu, especialmente a noite, quando está escuro, é misterioso”, como ele próprio se considera.

Além de ser o seu primeiro trabalho a solo, este será aquele que levará aos ouvintes de Marcu$ um “conteúdo diferente do que estamos habituados em Angola por exemplo”.

Criada de forma orgânica, algumas das músicas do EP Sky “já tinham sido gravadas há algum tempo e outras foram gravadas mais recentemente”. O artista confessou que sentiu alguma “pressão por ser o primeiro projeto a solo”.

Apesar de o rap ser a base de MADMARCU$, o artista diz que não se coloca dentro dessa caixa dos rappers. “Não por achar que sou melhor que alguém, mas por sempre ter achado que só rap não chega para mim, além de que sempre me senti bastante envolvido com outros géneros. E uma coisa é facto, não faço por dinheiro e tenho em atenção o que são coisas importantes na vida de um músico bem-sucedido mas sempre pus o amor primeiro. Mesmo que ninguém ouvisse eu iria fazer na mesma”, disse.

O artista acredita também não ser vantajoso ter uma carreira baseada em desavenças ou beefs, porque “qualquer pessoa que tenha muitos inimigos há-de sentir dificuldade em prosperar, seja em que área for”.

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Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".