As declarações foram feitas durante uma sessão do festival Banff World Media. ’’Não temos visto muitos conteúdos na televisão ou cinema sobre mulheres e afroamericanos na História e isso é algo que temos de mudar. O facto de as pessoas assistirem a ‘Mrs. America’ e questionarem porque é que não há mais produções sobre estas questões, mostra a escassez de conteúdos sobre personagens não brancas e não masculinas”, disse Dahvi Waller, frisando a necessidade de se ter mais filmes que retratam a vida das mulheres na luta pela igualdade de género.

“Mrs. America”, que tem apenas uma temporada com nove episódios, é uma minissérie que conta a história de como falhou a ratificação da Emenda da Igualdade de Direitos para as mulheres, na Constituição dos Estados Unidos, durante os anos setenta.

Entre os vários assuntos retratados, a série ilustra a primeira mulher negra que se candidatou à presidência dos Estados Unidos, papel interpretada pela atriz Uso Aduba.

Cada episódio é consagrado a uma mulher, sendo o primeiro a Phyllis Schlafly – interpretado pela atriz e produtora Kate Blanchett – uma anti-comunista e anti-feminista, que lutou ao lado mulheres brancas de origens predominantemente ricas, racistas e conservadoras, com campanhas políticas e distribuição de pães caseiros, para manter o que consideravam um privilégio: o lugar de donas de casa.

A “Mrs. America” foi escrita quase inteiramente por mulheres. Dahvi Waller é a realizadora, que tem se destacado como uma defensora da emancipação da mulher e defende a inclusão de estórias de mulheres e afro-americanos nos filmes de Hollywood, sublinhando também a desigualdade de género no que toca a política centralizada.

A minissérie é protagonizada por Cate Blanchet (Phyllis Schlafly), Rose Byrne (Gloria Steinem), Uzo Aduba (Shirley Chisholm), Tracey Ullman (Betty Friedan), Margo Martindale (Bella Abzug) e Sarah Paulson (Alice Macray), contando ainda com Elizabeth Banks, James Marsden e John Slattery.

Nos EUA, a Emenda da Igualdade de Direitos tem como objetivo tornar ilegal a discriminação baseada no género. Foi proposta em 1923 e aprovada pelo senado norte-americano em 1972, mas uma forte campanha anti-feminista impediu a sua ratificação.

O assunto voltou a estar na ordem do dia com a eleição de Donal Trump como presidente do país e com o movimento “#Me Too”, no final de 2017.

Entretanto, neste momento, há 12 estados que ainda não ratificaram a Emenda e três entraram com um processo para impedir a sua ratificação.

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