É informático, tem 28 anos, gere um negócio próprio e assume com a sociedade guineense um compromisso de consciencialização. A BANTUMEN entrevistou Bacar Cassamá, o jovem guineense que criou um site onde a população pode acompanhar a evolução da pandemia no país.

É na BCassamá Tecnologias, empresa de prestação de serviços informáticos, fundada pelo próprio em junho de 2014, que Bacar Cassamá passa uma boa parte do seu tempo. Formado em Engenharia Informática pela Bissau International Management and Technology School, o jovem guineense ganhou destaque no panorama nacional e internacional depois de ter desenvolvido um site que permite à população acompanhar a evolução da Covid na Guiné-Bissau.

O portal covid19gb.com surge como uma página de informação e educação sobre a pandemia. Além da evolução em tempo real, os visitantes podem também ter acesso a informações no sentido de evitar a propagação do vírus, do mesmo modo que são disponibilizados os números para os quais os cidadãos devem contactar, caso tenham dúvidas ou apresentem sintomas.

Em declarações à BANTUMEN, Bacar admite que a ideia surgiu após perceber a necessidade e importância de cumprir o distanciamento social. Foi ao assistir a uma conferência de imprensa sobre a atualização dos dados relativos à pandemia no país que questionou “por que não ter um site oficial com os dados da Covid-19? Assim todo o mundo passa a acessar a página e a extrair informações”.

Não tardou até que passasse da ideia à conceção. Quatro dias e 1.200.000 XOF (equivalente a quase dois mil euros) depois, Cassamá tinha o seu site disponível online. O investimento, confidenciou-nos, foi feito através de fundos próprios, não tendo existido qualquer tipo de apoio a nível financeiro e/ou de recursos humanos. Para o informático, a maior dificuldade aquando da realização do projeto foi apenas a questão do domínio “queria que o site tivesse o domínio ‘.gw’ que é o da Guiné-Bissau, mas devido à demora no registo, acabei por comprar o domínio ‘.com'”, explicou-nos, referindo também que o domínio e a hospedagem do site foram adquiridos por um período de três anos.

Ciente da importância das novas tecnologias, Bacar afirma que é necessária a “criação de mais plataformas de informação e comunicação, de modo a facilitar a vida das pessoas”. Ao mesmo tempo considera que um dos maiores desafios da Guiné-Bissau no que diz respeito às TIC está relacionado com a criação de Universidades, Centros de Formação e Laboratórios de Tecnologia. Acredita que só assim “o país terá técnicos capacitados para entender as demandas das novas tecnologias”.

É neste sentido de preocupação e consciencialização da sociedade guineense que o jovem informático nos revela alguns dos seus planos futuros, que passam pelas áreas da política e da cultura. Dos muitos projetos que tem em mente, Bacar Cassamá pretende criar um “portal com banco de dados dos artistas (obras, biografias e redes sociais)” e um portal para o Governo da Guiné-Bissau que, nas palavras do próprio, “até ao momento não existe”.

Com mais de cinco mil visitantes por dia e mais de 400 contactos na lista de transmissão de notícias via Whatsapp, o site criado por “Baba”, como é conhecido pelos mais próximos, teve uma recetividade positiva perante o público.

Ainda que tudo corra bem a nível profissional, o jovem informático não deixa de revelar preocupação face à situação da pandemia no seu país. Bacar Cassamá acredita que a chave para o combate à covid passa pela sensibilização. Para o empreendedor, é preciso fazer a população entender que “quanto mais cumprir com as medidas das autoridades sanitárias, mais vai ajudar a salvar vidas”.

A Guiné-Bissau regista, à data de edição deste artigo, um total de 1.842 infetados. Estão recuperadas 773 pessoas e o número de óbitos registado é de 26, sendo a cidade de Bissau, capital do país, uma das regiões com mais casos.

Inconformada por natureza, acredito que o sucesso é um processo de melhoria contínua. Apaixonada pelas liberdades e oportunidades que a vida tem para oferecer. Teimosa o suficiente para não desistir, inteligente o suficiente para saber quando desistir. P.S: Ainda compro jornais em papel.