Nayr Faquirá é o nome de uma jovem artista portuguesa que tem a sua ancestralidade enraizada nas terras de Samora Machel. Tornou-se conhecida pelo grande público depois de se ter apresentado no programa televisivo “The Voice Portugal”. Cinco anos depois, conversámos com a cantora para saber o que tem feito desde então.

Assim que abre a boca para nos mostrar o seu talento, a sua voz trespassa-nos a alma, mas não foi ao microfone que Nayr ingressou nas lides artísticas. Aos seis anos, a filha do treinador moçambicano de futebol Daúto Faquirá começou a dar os primeiros passos na dança. Só dois anos depois, teve aulas de canto para desenvolver as suas habilidades vocais. Além de intéprete, Nayr compõe as suas letras e toca piano.

Ao participar no “The Voice Portugal”, em 2015, a artista viu a sua popularidade crescer vertiginosamente. Foi ali que percebeu que “era mesmo isto que queria fazer”. O “‘The Voice Portugal’ foi o maior abre-olhos que tive em relação ao que realmente ambicionava fazer”, explica-nos.

O programa ajudou-a a preparar-se para enfrentar a fama, “como estar em público” e a ter uma visão mais ampla do mundo televisivo.

Além de estar presente num meio competitivo e rodeada de “pessoas incríveis e talentosas, aprendi muito sobre mim enquanto artista e enquanto pessoa”. Essa aprendizagem foi essencial para ganhar “uma confiança e segurança gigante com o ter de lidar com a pressão que todo aquele programa acaba por naturalmente criar”, explicou à BANTUMEN.

Depois desse período, Nayr decidiu sair da sua zona de conforto para ir estudar música, voz e produção musical em Londres, onde se tornou uma artista independente. O percurso não foi fácil. “O pensamento de desistir passou pela minha cabeça por várias razões”, afirmou. O clima e a diferença cultural foram os principais obtáculos para a adaptação, juntando-se as frustrações, intrínsecas à área, que um artista tem de enfrentar. Porém, mesmo à distância, a família foi o suporte central dessa nova realidade.

Passo a passo, Faquirá foi enfrentado os medos e passando por cima das frustrações sem “perder o ritmo”. Mesmo assim, o que mais a amedrontava era “mesmo falhar no que iria fazer”.

Em 2019, a artista lançou as suas primeiras músicas, na língua em que mais se sente à vontade para exprimir o seu talento, o inglês. “I Would” e “Don!t Let Them” chegaram assim ao público através das plataformas digitais.

Outro factor importante que a influenciou a fazer do inglês o seu “idioma musical”, foi também ter começado a trabalhar com pessoas de todo o mundo, sendo essa a língua de comunicação comum no meio. “Foi o mais natural para mim”, disse.

Sem nunca esquecer as raízes moçambicanas, Nayr já pensou em cantar em Guitonga, uma língua falada em Inhambane, terra dos avós paternos. “Espero um dia conseguir de alguma forma incorporá-la na minha música”.

Atualmente, com 22 anos, Nayr apresenta o seu mais recente single, “Se”, que é o seu primeiro trabalho na língua de Camões.

A música surgiu tal como as outras composições, de “experimentações com o meu teclado e uma produção que tinha começado”. A letra ocorreu de forma natural porque relata “algo que me é muito pessoal e em termos de produção queria que fosse algo fora do que costumo fazer”.

Em “Se”, Nayr queria juntar uma série de “obstáculos e conquistas dentro de uma relação” aos ritmos dançantes e que conseguisse expor o seu poder individual enquanto mulher e artista.

A capa do single, que facilmente nos transporta o imaginário para uma cena de cartoon com uma heroína, foi uma criação original da sua melhor amiga, Patrícia Beja. O objetivo maior foi “retratar a força duma mulher dentro e fora duma relação e não deixar de o fazer duma forma divertida”.

Patrícia Beja é também a responsável pelo videoclipe de “Se”, que “está prestes a sair”.

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Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".