O turismo em São Tomé e Príncipe vai precisar de “um impulso considerável para se erguer”, após a pandemia de covid-19, que “abalou seriamente os seus alicerces”, defendeu, à Lusa, a ministra do Turismo são-tomense.

“Nós conhecemos a qualidade do nosso turismo, e tudo o que fizermos agora, toda a contribuição para mudar o atual rosto do nosso turismo, é muito bem-vinda”, disse, em declarações à Lusa, Graça Lavres.

A ministra do Turismo sustentou que o país não precisa de um turismo de massa, mas de um turismo que respeite a biodiversidade.

“Nós não corremos atrás do turismo de massa, corremos atrás de um turismo responsável, sustentável, que tenha o envolvimento das comunidades, que tenha o envolvimento de todos”, acrescentou a governante.

São Tomé e Príncipe retomou no início de julho as atividades turísticas, com a reabertura dos hotéis e do espaço aéreo para voos comerciais provenientes dos países da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP), no mesmo dia em que o Governo anunciou que o país se prepara para a retoma da atividade turística com a certificação “Clean and Safe” (Limpo e Seguro). No final da semana passada, na terceira fase de desconfinamento, reabriram as restantes ligações aéreas e inter-ilhas.

De acordo com um comunicado enviado à Lusa pelo gabinete do primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, “o Ministério do Turismo, através da Direção-Geral do Turismo e Hotelaria, em parceria com a Associação Santomense do Turismo, a Plataforma do Turismo Responsável e Sustentáve e a ONG [organização não-governamental] ALISEI lançou a iniciativa da certificação ‘Limpo e Seguro'”.

O documento sublinha ainda que a Direção do Turismo irá proceder ao reconhecimento das empresas ligadas as áreas do turismo que “cumpram os requisitos” estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério de Saúde “para evitar a contaminação dos espaços com o novo coronavírus”.

Os profissionais do setor do turismo serão submetidos a uma formação de capacitação sobre os procedimentos de limpeza, higiene e medidas básicas de prevenção e controlo da covid-19, no âmbito de uma iniciativa destinada aos empreendimentos turísticos, restaurantes, ‘rent-a-car’, agências de viagens e turismo, lojas turísticas, sítios de interesse turístico e guias turísticos.

O comunicado, assinado por Waldiner Boa Morte, assessor de comunicação do primeiro-ministro, refere ainda que a Direção-Geral do Turismo e Hotelaria, em coordenação com as “entidades competentes”, irá realizar fiscalizações aleatórias aos estabelecimentos aderentes.

“Esta medida […] tem como objetivo sensibilizar os empreendimentos para os procedimentos mínimos a adotar e incentivar a retoma do setor do turismo a nível nacional e internacional”, indica a mesma nota do executivo.

O Governo pretende, deste modo “reforçar a confiança de todos no destino São Tomé e Príncipe e nos seus profissionais e recursos turísticos”, sustenta o comunicado.

Entretanto, a Plataforma do Turismo Responsável e Sustentável arrancou com a execução de um projeto de desenvolvimento de um projeto de exploração turística nas zonas protegidas, designadamente no Parque Nacional Obô, situado a cerca de 18 quilómetros da capital.

A execução deste projeto ocorre na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre a Plataforma do Turismo Responsável e Sustentável e os ministérios do Turismo, Comércio e Indústria e da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural.

Trata-se de um projeto para cinco anos com financiamento garantido da BirdLif Internacional, cujo montante não foi anunciado.

“Como nós somos uma instituição privada não podemos atuar no parque sem a credencial dos ministérios e é no âmbito da necessidade de termos essa credencial que assinámos este memorando”, disse à Lusa Eugénio Neves, presidente da Plataforma do Turismo Responsável e Sustentável.

Eugénio Neves disse que “logo nos primeiros dias de arranque, este projeto vai dar emprego aos guias e ecoguias, guardas florestais e pessoas da comunidade que trabalham na comunidade”, algo que, sustentou, permite “desenvolver um turismo responsável”.

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O ministro da Agricultura, considerou, por seu lado, a assinatura deste memorando como “um passo importante na área do turismo ecológico”.

“A importância do turismo é inegável para esta governação como para os próximos governos”, disse Francisco Ramos, sublinhando que o executivo “elegeu o turismo como setor estratégico de desenvolvimento económico e social do país”.

Francisco Ramos considera que na atual situação do turismo em São Tomé, é necessário “agir com maior celeridade” para “pôr o turismo a funcionar”.

“Devemos, todos sem exceção agir com maior celeridade possível e encarrarmos com objetividade os principais constrangimentos provocado pela pandemia de covid-19”, disse o ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural.

São Tomé e Príncipe regista, até ao momento, 741 casos de covid-19, incluindo 14 mortos.

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