Fernanda Renee Samuel, 28 anos, angolana e engenheira de Produção de Petróleos, é uma das 35 finalistas da edição deste ano do Prémio Jovens Campeões da Terra, da ONU, destacando-se com o seu projeto “Tchiva”.

Fernanda fundou a AmbiReciclo, uma startup que promove a economia verde. “Este é um projeto que tem como objetivo a promoção da gestão sustentável das zonas húmidas de mangais através de ações de sensibilização e educação sobre a importância dos mangais, a limpeza, a florestação e a investigação”, explicou a engenheira que sentiu-se feliz ao ver o seu projeto apoiado pelo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, que a recebeu em audiência no seu gabinete, para conhecer o propósito da startup que futuramente pretende-se expandir às províncias do Kwanza Sul e Cabinda.

Com uma ligação de longa data aos mangais angolanos, onde se sente “profundamente conectada à bela biodiversidade do ecossistema, de aves migratórias a peixes, crustáceos e moluscos”, Fernanda quer sensibilizar a população contra os perigos das construções nas áreas, tendo já obtido o apoio de alguns moradores para a limpeza e restauração, o que proporciona o aumento das espécies animais que ali habitam.

Mas as construções na área causaram um declínio de espécies e um aumento de inundações. O projeto, Otchiva, sensibilizou os moradores para uma campanha massiva de limpeza e restauração, que levou a um aumento constante da população de flamingos. caranguejos e peixes. 

O sonho da finalista “é ver os mangais em Angola definitivamente protegidos, restabelecer a resiliência da costa, bem como o bem-estar de todas as espécies que dependem dos mangais, incluindo os humanos”, referiu a jovem citada pela VOA News.

O projeto dos Mangais começou no Lobito, cidade em que Fernanda nasceu. Desde muito pequena que aprecia a natureza e luta para a proteção do ambiente, de forma geral. Orgulhosa pelo trabalho que tem desempenhado, a engenheira mostrou-se preocupada com o mundo em que vivemos, particularizando Angola.

 “É importante que consigamos reunir os mais amplos consensos aqui entre nós, para que sejamos todos capazes de salvar o planeta, a começar pela nossa própria terra. Sinto que chegou a hora de nos reconciliarmos com a mãe natureza. Porque Angola conseguiu a paz com o calar das armas e não adianta se as nossas florestas continuam a ser devastadas, se houver falta de saneamento e os nossos ecossistemas continuarem a ser destruídos.” Finalizou. 

Depois da Biológa angolana Adjany Costa, atual Ministra do Ambiente de Angola, ter vencido o prémio “Jovens Campeões da Terra 202” da PNUMA, Angola destaca-se novamente na iniciativa. Fernanda Samuel já venceu também o “Prémio Internacional Odebrecht para o desenvolvimento sustentável 2015”.

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