Bruno Candé Marques, de 39 anos, foi morto a tiro por um octogenário em Moscavide, Lisboa. O crime ocorreu neste sábado, 25, por volta das 13h e o homicida terá tido, segundo a família da vítima e dos moradores, motivação de foro racial.

O homem de 80 anos usou uma arma de fogo e disparou quatro vezes à queima roupa contra Bruno Candé, que acabou por morrer no local. Várias testemunhas do incidente retiveram o autor dos disparos até que a Polícia de Segurança Pública (PSP) chegasse para tomar conta do caso.

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“Portugal não é racista”. Lembram-se? E agora decerto que virão aqueles que dirão que a morte do Bruno Candé não prova o contrário, e que foi “coisa pontual” e obra de “um maluco”. Mas foi um crime de ódio – contra um actor, um pai, e decerto que neste país tão não-racista, haverá quem tente inventar “justificações” para o crime (“na volta ele provocou o outro”). Mas nada justifica isto: Bruno, 39 anos, artista, pai de três filhos, todos com idades abaixo dos cinco anos, foi rasteirado por um monstro que, depois de o mandar ao chão, disparou contra ele. Já há dias que o assassino o insultava, e já tinha agredido a cadela que acompanhava Bruno para todo o lado. Tendo em conta que o monstro tem 80 anos, não será difícil que a prisão lhe seja perpétua, como merecido. Que a justiça se faça. E um grande abraço solidário para a família e amigos do Bruno.

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O crime foi “premeditado e racista”, acusa a família do ator, em comunicado: “O seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas dirigidos ao próprio Bruno e à sua família. Face a esta circunstância fica evidente o caráter premeditado e racista deste crime hediondo.”

O assassinato de Bruno aconteceu em plena Avenida de Moscavide, próximo do Casal dos Machados, onde a vítima morava e passava a maior parte do tempo desde há dois anos, depois de ter sofrido um acidente de bicicleta que o deixou clinicamente incapacitado devido a dificuldades locomotivas.

Por se tratar de um homicídio, o caso foi entregue à Polícia Judiciária e a SOS Racismo já se pronunciou sobre o assunto, sublinhando o caracter evidente de crime de ódio racial.

Há relatos de que, desde há três dias, o homem de 80 anos ameaçava e injuriava de forma racista e xenófoba Bruno Candé e a sua família. Aparentemente, o diferendo terá começado depois de o homicida ter tropeçado na cadela da vítima, companheira inseparável durante a sua recuperação.

Bruno era ator e pertencia à companhia de teatro Casa Conveniente e chegou a integrar o elenco da telenovela “Única Mulher”, da TVI. Com 39 anos, a vítima deixa três filhos menores: dois rapazes, de 5 e 6 anos, e uma menina de 2.

O actor, cidadão português nascido na Guiné-Bissau, cresceu na Casa Pia de Lisboa, onde começou a fazer teatro. Chegou a ingressar no Chapitô e em 2010 integrou a Casa Conveniente. Há dois anos, um acidente de bicicleta levou-o a ficar em coma. Apesar da recuperação inesperada, Bruno ficou com graves sequelas no lado esquerdo do corpo e dificuldades de locomoção. A companhia Casa Conveniente estava a preparar um espetáculo que iria servir de homenagem à sua recuperação, escreveu a revista Sábado.