Bruno Candé Marques morreu assassinado na passada quinta-feira, pelas mãos de um homem de 76 anos que, de acordo com várias testemunhos, vociferou frases como: “vai para a tua terra”. “Volta para a senzala”. “Vou violar a tua mãe”. “Fui à tua mãe e àquelas pretas todas de merda”. “Tenho armas do Ultramar em casa e vou-te matar”.

“O racismo já matou e continua a matar. Para que o assassinato do Bruno Candé Marques não seja mais um sem consequências, exigimos que justiça seja feita”. Este é o mote da manifestação que vai acontecer na próxima sexta-feira, 31 de julho, no Largo de São Domingos, em Lisboa, às 18h, que pede justiça para o caso de Bruno Candé e uma ação por parte de quem de direito para travar o racismo cultural presente na sociedade portuguesa.

Bruno Candé Marques, ator, 39 anos, foi brutalmente assassinado no sábado passado, pouco depois da uma da tarde, em plena luz do dia, na Avenida de Moscavide, em Loures, com quatro tiros disparados à queima-roupa por um homem de 76 anos, reformado, antigo auxiliar de limpezas de um hospital e presumivelmente ex-combatente na Guerra do Ultramar.

Apesar de vários testemunhos veiculados na imprensa portuguesa darem conta dos propósitos racistas do homicida, a Polícia de Segurança Pública já afirmou que “da inquirição das testemunhas todas do local [que depois ao Observador precisou que foram seis], ninguém fala de atos racistas”, “Preto do caralho”. “Vai para a tua terra”. “Volta para a senzala”. “Vou violar a tua mãe”. “Fui à tua mãe e àquelas pretas todas de merda”. “Tenho armas do Ultramar em casa e vou-te matar”. Estas foram as frases ditas pelo homem de 76 anos e repetidas por várias testemunhas ao jornal Observador e que identificam claramente ódio e racismo.

Presente a tribunal segunda-feira à tarde, acusado de homicídio qualificado e detenção de arma ilegal, a identidade do homicida não foi revelada, estando este em prisão preventiva e tendo-se recusado a prestar declarações.

A manifestação desta sexta-feira está a ser organizada por vários coletivos antirracistas em articulação com a família de Bruno Candé.

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