Esta está a ser uma semana dura para a cultura angolana. Depois de Waldemar Bastos, na segunda-feira, outro dos maiores nomes da música de Angola acaba de falecer. Carlos Burity morreu na manhã desta quarta-feira, em Luanda.

Carlos Burity se iniciou na música em 1968 e gravou, em 1974, sucessos como “Ixi Iami” e “Recado”.

Natural de Luanda, cidade onde nasceu em 1952, Burity integrou, em 1968, a formação pop–rock “Cinco mais um”, com Catarino Bárber e José Agostinho, o último do Duo “Missosso, com Filipe Mukenga.

Em 1974 grava, com o Grupo Semba, uma selecção de músicos angolanos que ficou na história da Música Popular Angolana, o seu primeiro single, que inclui os temas “Ixi Iami” e “Recado”.

Neste mesmo ano divide o palco com David Zé e Artur Nunes, num grande espectáculo realizado na Cidadela Desportiva de Luanda, promovido pelo empresário Palma Fernandes e Ambrósio de Lemos Pereira Gama (ALPEGA).

O single “Inveja” e “Memória de Nelito” surge no mercado em 1975, enquanto o disco “Especulador”, um tema de pendor satírico que marca a entrada de Carlos Burity no universo da música de intervenção, e a canção “Desaparecimento de Moreno”, gravada com o agrupamento os Kiezos, surgem em 1976.

Em 1983, Burity junta-se ao “Canto Livre de Angola”, um projeto do cantor brasileiro Martinho da Vila e do empresário Fernando Faro, que levou ao Brasil nomes como Filipe Mukenga, André Mingas, Dina Santos, Pedrito, Elias dia Kimuezo, Rebita do Mestre Geraldo, Mamukueno e Joy Artur, acompanhados pelo agrupamento Semba Tropical, e participa, integrado no mesmo projecto, na gravação do LP “Semba Tropical in London”, interpretando, com assinalável, sucesso, os temas “Mon’ami” e “Tona kaxi”.

O álbum “Carolina” surge em 1991, com os temas “Uabite Boba”, Maria “Alukaze”, “Narciso” (de Mamukueno), “Carolina”, “Monami”, “Adeus” (Filipe Zau) e Kilundo (Filipe Mukenga).

Em 1994 surge com “Angolaritmo “, que aparece sob a forma de CD em 1994, pela editora VIDISCO, com o título “Ilha de Luanda”.

Carlos Burity tem ainda publicados os álbuns “Wanga”, “Ginginda”, “Massemba”, “Zuela o Kidi”, “Paxi Iami” e “Malalanza”.

Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".