Solene Barros é Soly no mundo do rap. Angolana, na flor da idade e com a garra toda para gravar o seu nome nos quatros cantos do país, quem sabe além fronteiras, a artista esteve à conversa com a BANTUMEN para se apresentar ao nosso público.

Tudo começou quando decidiu cantar as letras de um primo, o também rapper Babacita. Aos nove, Soly achou que faria mais sentido escrever ela própria aquilo que queria despejar no microfone.

A arte do rap foi desde sempre o seu primeiro refúgio, onde descarregava as emoções decorrentes do bullying que sofria por se vestir diferente das outras meninas e gostar de jogar futebol.

Ser MC está-lhe no sangue mas, atualmente, Soly despertou para o rnb e tem também piscado o olho aos ritmos do afro-house angolano.

A rapper acredita que o facto de existirem um número reduzido de rappers femininas dentro do mercado nacional pode ou não facilitar a sua ascensão.

Primeiro, pode porque “quando lhes é recomendado o nome Soly creio que surge uma curiosidade maior por eu ser uma rapariga”, por outro lado, desfavorece “porque, se esse ponto fosse realmente favorável, muitas por serem raparigas estariam onde estão rappers como Leila Africano, Linny C, Elizabeth Ventura e muitas outras”.

“Eu acho que por sermos mulheres no rap muitas portas podem abrir-se, mas muitas também podem fechar-se”. O que faz singrar “é o nosso trabalho, determinação e disciplina”.

Para a rapper, a passagem de testemunho por parte das rappers old school está a fazer-se sentir, deixando claro que “rappers como a Eva Rap Diva fizeram fazem muito bem o seu papel”.

Quando surgiu no rap, Soly passou a receber muitos “props” e partilhas que no Twitter bateram mais de 35 mil visualizações. Claramente que para alguns isso incomodou e para outros nem tanto. Artistas como Carla Prata e Nery Borges, por exemplo, fizeram questão de ajudar à sua promoção.

Para o seu último vídeo, “Xaxas 2.0”, que soma um total de 31 mil e 400 plays no SoundCloud, a rapper inspirou-se na sua música homónima, mas trazendo uma “sonoridade mais diferente e mais dançante” em relação à primeira versão.

Para o ano de 2020, Soly pretende lançar “mais um ou dois singles e fechar o ano com um EP”.

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Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".