Em 12 estados nigerianos, de 37, a Sharia é a lei. Este sistema jurídico da lei islâmica permite que, por exemplo, a homossexualidade e a blasfémia sejam crimes punidos com a pena de morte.

A blasfémia, pela segunda vez, desde que a Nigéria voltou a implementar a lei da pena de morte em finais do ano de 1999, é a causa de uma pena capital. No estado de Kano, no norte do país, uma cantor de gospel foi condenado à morte por enforcamento por blasfemar contra o profeta Maomé, segundo escreve a BBC Nigéria.

Yahaya Sharif-Aminu, de 22 de idade, foi processado por alegadamente insultar o profeta Maomé numa das suas canções, disse Baba-Jibo Ibrahim, porta-voz das autoridades judiciais locais, à AFP.

Aquando do lançamento da música, a cidade de Kano foi agitada por protestos e manifestantes incendiaram a casa da família de Sharif e marcharam pelas ruas da cidade para exigir a sua prisão.

Presente em tribunal, o conteúdo da canção de Yahaya Sharif-Aminu foi considerada ilegal por retratar de forma elogiosa um imã (líder religioso muçulmano) da irmandade Tijaniya, à qual Sharif-Aminu pertence, colocando-o acima do profeta Maomé.

As reacções de indignação desta condenação não demoraram a surgir, inclusive de Donald Trump, Presidente dos EUA. A Amnistia Internacional já pediu também às autoridades do estado nigeriano de Kano a anulação da sentença de morte.

Esta é a segunda vez que uma sentença de morte é pronunciada por blasfémia desde que vários estados no norte da Nigéria adotaram uma versão estrita da lei Sharia no início dos anos 2000. Abdul Nyass, um clérigo que pertence à mesma irmandade Sufi que Sharif já havia sido condenado à morte por “blasfémia” por um tribunal islâmico em Kano, em 2015.

De salientar que, os tribunais islâmicos no norte da Nigéria operam em paralelo com o sistema judicial estatal e já proferiram sentenças de morte por adultério, homicídio e homossexualidade, sem que até à data tenham ocorrido quaisquer execuções.